Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Sermão no Vaticano ataca <i>O Código Da Vinci</i>

Sexta, 25 de Março de 2005 às 13:06, por: CdB

Um membro do Vaticano criticou fortemente o livro O Código Da Vinci em um sermão da Sexta-Feira Santa na Basílica de São Pedro, dizendo que o best-seller é um exemplo de "parasitismo literário e artístico" em uma sociedade obcecada por sexo.

O padre Raniero Cantalamessa, cujo título oficial é "pregador do lar papal", fez seus comentários num sermão a um grupo de cardeais e outros membros do Vaticano durante o serviço da Paixão de Cristo.

Em seu entusiasmado sermão, ele disse que algumas pessoas hoje estavam prontas a acreditar em qualquer coisa porque elas não acreditam mais em Deus.

- Em uma corrente sem fim de romances, filmes e peças, escritores manipulam a figura de Cristo sob a cobertura de novos documentos e descobertas imaginários e não existentes - disse em uma das várias referências claras ao best-seller do autor americano Dan Brown.

O romance é sobre um assassinato misterioso centrado nas tentativas de descobrir um segredo sobre a vida de Cristo que uma sociedade clandestina tenta proteger há séculos.

O argumento central do livro é que Jesus casou-se com Maria Madalena e teve filhos. Os cristãos aprendem que Jesus nunca se casou, foi crucificado e ressuscitou.

Cantalamessa, que não mencionou o livro pelo nome, o atacou dizendo:

- Nossos tempos, obcecados que são com o sexo, parecem incapazes de retratar Jesus em qualquer outra forma que não seja como um homossexual ou como alguém que ensina que a salvação deve ser encontrada pela união com o princípio feminino e que deu o exemplo ao se casar com Maria Madalena. A paixão e a crucificação de Cristo? Tudo invenção da Igreja!.

Um dos pontos centrais do livro é que o Cálice Sagrado não é o copo que Cristo teria usado na Última Ceia, mas a linhagem sanguínea descendente de Jesus e Maria Madalena.

Cantalamessa acusou tais romances e filmes de explorar o nome de Cristo por razões comerciais.

- Estão fazendo negócios com a grande ressonância que tem o nome de Cristo e tudo o que ele significa para grande parte da humanidade para conseguir vasta publicidade a um custo muito pequeno... isso é parasitismo literário e artístico.

Em seu site na Internet, Brown nega as acusações de anti-cristianismo.

Sua editora, Doubleday, disse que o livro simplesmente explora idéias centenárias em "uma obra acessível de ficção".

No início do mês, o cardeal Tarcisio Bertone, que lidera as acusações do Vaticano contra o livro, havia pedido em uma entrevista à Reuters que os católicos afastassem a obra como uma comida estragada e a chamou de "um saco cheio de mentiras" que insulta a fé católica. Ele pediu às livrarias católicas que retirassem o livro das prateleiras.

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