Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Serla inicia dragagem do Canal do Cunha e seus afluentes

Sexta, 15 de Abril de 2005 às 07:29, por: CdB

A Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla), órgão da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, responsável pela gestão dos recursos hídricos do Estado do Rio de Janeiro, inicia, nesta sexta-feira, a dragagem do Canal do Cunha e seus principais afluentes. O trabalho será feito em quatro meses, pelos cálculos da Serla. No período, serão retirados, aproximadamente, 90 mil metros cúbicos de lodo, areia e detritos em geral.

Para a dragagem, serão utilizados duas Dragline tipo 38 B, uma escavadeira hidráulica FH 240 e 15 caminhões. Nesta primeira fase do projeto, será dragado o trecho do Canal do Cunha entre as avenidas Brasil e Leopoldo Bulhões, numa extensão de 1.050 metros. Serão dragados também o Rio Jacaré (850 metros); o Rio Faria (620 metros); o Canal de Benfica (150 metros) e o valão entre a Vila do João e a Vila Pinheiros (1.700 metros).

A dragagem será feita graças aos recursos no valor de R$ 2,15 milhões provenientes do TAC (Termo de Ajuste de Conduta) firmado pelo estado com a Refinaria de Manguinhos, na Zona Norte do Rio. É um dos projetos ambientais mais importantes do governo do estado, porque a bacia do Canal do Cunha é uma das principais responsáveis pelo lançamento de grande volume de lixo e esgoto na Baía de Guanabara.

Sérios problemas acumularam-se ao longo do tempo, como a poluição causada pelo antigo aterro sanitário do Caju, a proximidade de refinarias e a ocupação maciça de suas margens. A área é uma das que registram maior número de favelas no Rio.

O trabalho vai propiciar a drenagem dos bairros próximos ao Canal do Cunha (Higienópolis, Jacaré, Maria da Graça, Benfica, entre outros) onde moram mais de 300 mil pessoas. Com isso, as inundações causadas por fortes chuvas, comuns na região, sofrerão drástica redução.

A Serla já tem prevista a dragagem do trecho final do Canal do Cunha, entre a Avenida Brasil e o Canal do Fundão. Esta segunda fase do projeto inclui a dragagem do Canal do Fundão. O projeto está em estudos na Serla e será enviado ao Fecam nos próximos dias. O custo estimado para a segunda fase é de R$ 30 milhões, com a dragagem de 1,5 milhão de metros cúbicos de material.

Com essas intervenções, aumentará muito a proteção aos manguezais junto ao Fundão e à Avenida Brasil e diminuirá significativamente o lançamento de sedimentos na Baía de Guanabara.

Tão logo termine a dragagem, a Serla instalará uma ecobarreira na foz do Canal do Cunha, que desemboca no Canal do Fundão, próximo à Baía de Guanabara. O sistema consiste na colocação de barreiras flutuantes feitas de material reciclável, estendidas de uma margem à outra da foz de rios, para reter o lixo que flutua em direção a baías e lagoas.

Essa será a segunda ecobarreira que a Serla instala em rios cariocas para impedir a chegada de lixo flutuante à Baía de Guanabara. A primeira funciona, desde meados do ano passado, na foz do Rio Irajá, também na Zona Norte do Rio.

O projeto tem a participação da FGV (Fundação Getúlio Vargas). O material é recolhido pelos ecojovens - jovens recrutados em comunidades carentes -, acondicionados em grandes sacos plásticos, pesados em balanças, colocados em containeres existentes nos ecopontos, que ficam ao lado das ecobarreiras, e daí transportados para usinas de reciclagem.

Parte do que é arrecadado com as vendas é revertido para os jovens trabalhadores. Há ainda os ecobarcos que recolhem o que não é contido pelas telas.

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