Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Serla estuda problemas da Lagoa Rodrigo de Freitas

Terça, 29 de Junho de 2004 às 08:00, por: CdB

Será acrescentado pelo Estado, dentro de um mês, mais uma ação, para manter os níveis ideais da água da Lagoa Rodrigo de Freitas. A Serla vai contratar um liminólogo (pessoa especializada em ecossistemas típicos de lagoas urbanas) para fazer um estudo detalhado da Lagoa Rodrigo de Freitas que indicará a quantidade ideal de peixes, especialmente as savelhas, que ela suporta.

- De posse desses dados, poderemos monitorar a população da lagoa e remanejar o excedente. Faremos convênio com a colônia de pescadores para executar o plano - completa Ícaro Moreno Júnior, presidente da Serla.

Ícaro Moreno informa que hoje o Estado mantém diariamente oito ações básicas de monitoramento da lagoa: 1) manejo das comportas do Canal do Jardim de Alah, da Avenida Visconde Albuquerque e da Rua General Garzón; 2) limpeza de areia 24 horas por dia do Canal do Jardim de Alah; 3) dragagem do lodo ativo da parte mais comprometida da lagoa; 4) retirada de algas; 5) controle diário do oxigênio dissolvido, temperatura, turbidez e salinidade de várias partes da lagoa; 6) monitoramento das 21 saídas de águas pluviais evitando despejo de esgoto; 7) controle da vazão do rio na Visconde de Albuquerque para o emissário submarino de Ipanema; e 8) trabalho em parceria com as colônia de pescadores.

A principal medida de saneamento da lagoa foi feita na gestão de Garotinho, quando foi construido uma galeria de cintura, responsável por existir hoje muito pouco despejo de esgoto na lagoa. De lá para cá, acabaram-se as grandes mortandades de peixes, exceto por razões específicas, como essa da superpopulação de savelhas conjugada com a maré baixa, que provocam queda brusca de oxigenação, segundo Ícaro Moreno.

Uma das medidas mais eficazes da Serla é a retirada do lodo ativo na altura do Clube Piraquê. Depois de iniciado no último ano do governo Garotinho e interrompido no governo que o sucedeu, o processo foi retomado no final de 2003 e, de lá para cá, a Serla já retirou 125 mil metros cúbicos de lodo. A meta é remover até o final do ano 270 mil metros cúbicos de lama.
A Feema faz o monitoramento constante da qualidade da água e garante que a temperatura tem se mantido em torno de 22 a 24 graus e que a concentração de oxigênio está em torno de oito miligramas por litro acima do aceitável (4 mg/l).

O monitoramento da água é feito por meio de perfis verticais de oxigênio dissolvido, salinidade e temperatura, para observação das condições de mistura das águas e da transparência em cada ponto de coleta. O monitoramento inclui ainda coleta de amostras para a verificação de parâmetros físico-químicos e biológicos.

A falta de oxigenação responsável pela mortandade de savelhas é decorrente da insuficiente circulação e renovação da água. A água do mar (mais densa), penetrando em pequena quantidade e em baixa velocidade, devido à maré baixa nessa época do ano, dirige-se para o fundo, ficando acima da camada de lama rica em matéria orgânica e abaixo de uma camada de água salobra (menos densa). Estabelecida a estratificação, a camada mais salgada torna-se em pouco tempo anaeróbica e rica em gases, com oxidação da matéria orgânica existente no fundo da Lagoa. A mistura destas camadas, devido a ventos fortes, causa rápido déficit do oxigênio dissolvido em toda a massa d'água.

A Serla, através do Núcleo de Operação e Conservação da Lagoa Rodrigo de Freitas, continua trabalhando em regime de plantão com nove barcos e 16 pescadores para retirar as últimas savelhas mortas. Até agora já foi recolhida uma tonelada da espécie.

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