Ontem as TVs britânicas estavam em polvorosas. Depois das declarações de que teria sido possível achar vestígios de armas químicas e biológicas no Iraque, descartando grande quantidade de "weapons mass", vários especialistas foram convidados para debates imediatos.
No Brasil esse assunto é tratado como política internacional e por isso o espaço para ele não é tão grande como é aqui. A entrada da Inglaterra na guerra contra o Iraque é assunto de interesse nacional. Calcula-se que até agora foram gastos mais de 10 bilhões de libras, direta e indiretamente no conflito. Os opositores ao primeiro-ministro Tony Blair se agarram tanto na grandiosa quantia financeira gasta quanto na questão humanitária.
Como e quando recomeçará a reconstrução do Iraque? Essa pergunta é feita pelo menos uma vez por dia a Tony Blair. O Afeganistão até agora continua como foi deixado. Tem uma verba de apenas 600 milhões de dólares, que são consumidos em sua maioria com o pagamento de energia elétrica e de outros setores básicos.
As organizações mundiais pela paz e com vínculo com a Cruz Vermelha Mundial fizeram nesse final de semana uma megamanifestação pela desocupação do Iraque e pela reconstrução do país. Tony Blair foi tachado de "Devil" (Diabo), inclusive em fotos com chifres e arpoes. Muitos cartazes pediam a sua saída do governo.
O fato é que a pressão vinda tanto dos programas de TV quanto das manifestações está deixando Blair em uma situação difícil. Agora ele está em fase de disputa no seu próprio partido. O Labour Party está em época de eleição para o novo líder do partido. Seu principal opositor, Gordon Brown, se apóia nessa queda de popularidade e nesses questionamentos que colocam o atual primeiro-ministro na berlinda.
É uma fase difícil, talvez mais difícil que a primeira grande queda de sua popularidade, quando a Inglaterra entrou definitivamente na guerra contra o Iraque.
Para entrar, ele usou uma explicação que atá agora ninguém viu. Para continuar e não cair, ele vai ter que provar que estava certo e tentar achar de todas as maneiras algum fato concreto das provas que já dizia possuir.