A emissora de TV Associated Press Television News divulgou um vídeo em que a jornalista italiana Giuliana Sgrena, seqüestrada no Iraque, faz um apelo às tropas lideradas pelos Estados Unidos para que deixem o país.
Sgrena, que trabalha para o jornal italiano Il Manifesto, foi atacada e levada por homens armados em Bagdá no início do mês.
- Vocês precisam acabar com essa ocupação, é a única maneira de sairmos dessa situação. Estou contando com vocês - diz ela no vídeo, em italiano e francês.
- Eu peço ao governo italiano, aos italianos que estão lutando contra a ocupação, eu peço a meu marido, por favor, me ajudem.
Boa notícia
No que parece ser uma referência a seu marido, Sgrena diz:
- Pierre, me ajude. Você sempre esteve a meu lado em todas as batalhas. Eu te peço, me ajude. Mostre todas as fotos que tirei de iraquianos, de crianças atingidas por bombas de fragmentação, de mulheres. Eu imploro.
O marido dela, Pierre Scolari, disse que o vídeo é "uma boa notícia", porque prova que ela está viva.
O editor-chefe do Il Manifesto, Gabriele Polo, disse estar "aliviado por vê-la".
O grupo militante Organização Jihad Islâmico, pouco conhecido, disse ter seqüestrado Sgrena e exige que a Itália retire suas tropas do Iraque.
Um grupo usando o mesmo nome disse, em setembro, que tinha matado duas funcionárias italianas de organizações de assistência humanitária, Simona Torretta e Simona Pari, que depois foram libertadas por outro grupo.
Votação
No vídeo obtido nesta quarta-feira, Sgrena aparece sozinha em frente a um fundo branco. No canto da tela aparece a inscrição "Mujahideen Sem Fronteiras" em vermelho e em árabe.
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse que a Itália está tentando negociar a libertação de Sgrena.
O vídeo está sendo apresentado repetidas vezes na TV italiana, enquanto o Senado se prepara para decidir se estende o financiamento para a missão de mais de 3 mil soldados italianos no Iraque. A Câmara já aprovou o financiamento.
Sgrena é o oitavo italiano a ser seqüestrado no Iraque, incluindo Pari e Torretta.
Enzo Baldoni, jornalista italiano e que também trabalhava para a Cruz Vermelha, foi seqüestrado em agosto passado e morto por um grupo que se autodenomina Exército Islâmico no Iraque.
Quatro italianos foram seqüestrados no Iraque, em abril. Um deles, o guarda de segurança Fabrizio Quattrocchi, foi morto por seus seqüestradores. Outros três foram libertados.