Centenas de policiais equatorianos armados com escudos cercaram o prédio do Congresso, na terça-feira, depois da decisão de uma corte constitucional recolocar 50 deputados da oposição em seus cargos, reacendendo a crise política no país. Presidente do Equador, o socialista Rafael Correa condenou a decisão da corte na segunda-feira, considerando-a ilegal e "vergonhosa." Correa tenta tirar poder do Congresso e das elites políticas tradicionais acusadas por muitos de serem as responsáveis pelo clima de instabilidade verificado no país.
Os equatorianos deram amplo apoio ao plebiscito defendido pelo governo e realizado na semana passada para montar uma assembléia especial encarregada de reformar a Constituição e conter a influência da elite tradicional sobre o Poder Judiciário e outras instituições do país. Os 50 deputados conduzidos de volta a seus cargos na segunda-feira fazem parte do grupo de 57 cassados no mês passado por uma corte eleitoral sob a acusação de terem tentado bloquear ilegalmente o plebiscito.
O Congresso, controlado agora por deputados aliados de Correa que substituíram os legisladores cassados, pode contra-atacar, tentando depor os membros da corte constitucional, afirmaram alguns assessores da Casa. Os deputados beneficiados elogiaram a decisão judicial, mas disseram que ainda avaliavam a possibilidade de tentar entrar no Congresso e retomar suas cadeiras. Em março, esses legisladores travaram um conflito com a polícia e conseguiram invadir o Congresso para protestar contra sua cassação.
- Deveríamos ter autorização para regressar ao Congresso. Mas tememos por nossa segurança. Vamos avaliar a postura do presidente e da corte eleitoral antes de tomar qualquer decisão - afirmou Gloria Gallardo, uma dos parlamentares cassados.
Centenas de manifestantes de um partido de esquerda aliado de Correa invadiram a corte constitucional na segunda-feira a fim de exigir dos juízes que reformassem sua decisão. Os magistrados foram escoltados para fora dali pela polícia enquanto a multidão atirava frutas e verduras contra eles. Correa, um economista eleito em novembro, é popular atualmente por, entre outros motivos, defender uma ampla reforma política no país, marcado pela instabilidade. Ao longo de uma década, o Equador assistiu à deposição de três presidentes. Mas adversários dele acusam-no de tentar apenas ampliar seus poderes.