Um homem mascarado que se identificou como o principal líder da guerrilha peruana Sendero Luminoso ainda em liberdade disse em entrevistas para uma TV e uma rádio do Peru que a luta armada estava ``infelizmente'' recomeçando.
Artemio, como é conhecido o líder rebelde, disse à rádio RPP e ao canal America Television, a partir de um esconderijo nas selvas da região central do Peru, ter dado ``um prazo de 60 dias ao governo para ele aparecer com uma resposta na busca de uma solução política''. O rebelde não disse quais eram suas exigências ou o que aconteceria caso elas não fossem atendidas no prazo.
Nem o canal de TV nem a rádio disseram como poderiam provar a identidade de Artemio. Os dois afirmaram apenas terem sido contatados por informantes anônimos depois de Artemio ter divulgado um ultimato semelhante em uma entrevista com o Channel Four, da Grã-Bretanha, vários meses atrás.
Na primeira entrevista concedida a uma TV peruana, Artemio usava uma balaclava, um relógio, calças cáqui e uma camiseta preta com as palavras ``Exército da Guerrilha Popular'' e o desenho de uma foice e de um martelo.Vários rebeldes armados com fuzis Kalashnikovs apareciam atrás dele, também mascarados e usando as mesmas camisetas.
O campo do grupo, ao qual, segundo a TV, os repórteres chegaram após várias horas de viagem, estava cercado por bandeiras e faixas vermelhas. ``Infelizmente, já estamos nos deparando com a volta das ações armadas, na busca de uma solução política para o conflito interno'', afirmou Artemio à RPP.
O Sendero Luminoso, que realizou uma das campanhas mais violentas da América Latina durante os anos 1980 e 1990, tem estado quase inativo desde a captura, em 1992, de seu líder, Abimael Guzman.