Os 81 senadores terão que decidir, em plenário, se será aberto processo de cassação contra o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) por seu suposto envolvimento no esquema de escutas clandestinas ilegais feitas na Bahia ou se o caso será arquivado. Parlamentares que integram o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar se disseram perplexos com a decisão da Mesa Diretora do Senado, tomada repentinamente na noite da última quarta-feira. A Mesa ignorou a decisão do Conselho, que aprovou por oito votos a sete a abertura do processo de cassação, e decidiu aplicar apenas uma censura a ACM. Na prática, a Mesa Diretora arquivou o caso. Como o regimento prevê que cabe recurso a qualquer decisão da Mesa, senadores de diferentes partidos já se articulam para obrigar o plenário a se pronunciar publicamente sobre o caso. Os senadores Paulo Paim (PT-RS), Heloísa Helena (PT-AL) e Jefferson Péres (PDT-AM) já anunciaram que vão recorrer ao plenário. - Foi uma decisão estranhíssima da Mesa, e por vários motivos. Em primeiro lugar, pela extrema rapidez e pela reunião ter sido realizada numa tarde de Senado vazio, às vésperas do feriadão. Em segundo lugar, porque exorbitaram e aplicaram uma punição para a qual não tinham competência - criticou o senador Jefferson Péres. Segundo ele, a Mesa tinha autonomia para acatar ou arquivar a decisão do Conselho de Ética. - O regimento não dá competência para abrandamento de penas - assegura o parlamentar. Péres explica ainda que a pena de censura só pode ser aplicada aos senadores que cometem desacato, insulta ou agressão a um colega ou popular. - A pena é inócua, não existe. Vamos pedir que o caso seja levado ao plenário, e não tem como a presidência do Senado negar o recurso - afirmou. O senador não arrisca um placar em plenário, mas sinaliza que a atitude da Mesa foi um ato de benevolência coordenado pelo presidente do Senado, José Sarney. - Não sei que tipo de acertos estão sendo feitos nos bastidores, mas o plenário terá que assumir uma decisão - observou. O presidente do Senado alegou que sempre orientou suas decisões pela Constituição e pela observância ao regimento. Quem tem competência para julgar crime, segundo ele, é o Supremo Tribunal Federal. Sarney afirmou que o Senado cumpriu seu dever e que caberá ao STF analisar os indícios de envolvimento de ACM nos grampos.
Senadores recorrem da decisão da Mesa Diretora no caso ACM
Os 81 senadores terão que decidir, em plenário, se será aberto processo de cassação contra o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) por seu suposto envolvimento no esquema de escutas clandestinas ilegais feitas na Bahia ou se o caso será arquivado. Parlamentares que integram o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar se disseram perplexos com a decisão da Mesa Diretora do Senado, tomada repentinamente na noite da última quarta-feira. (Leia Mais)
Sexta, 02 de Maio de 2003 às 06:48, por: CdB