A redução, em estudo pelo governo, do percentual de álcool anidro misturado na gasolina tem preocupado senadores. O presidente da Comissão de Meio Ambiente e Defesa do Consumidor, Renato Casagrande (PSB-ES), pretende realizar audiências públicas com representantes do governo e do setor sucroalcooleiro para debater os problemas enfrentados pela indústria do álcool e a necessidade de o país ter regras mais firmes nessa área.
– Esta mudança é ruim tanto do ponto de vista ambiental, porque aumenta a emissão de poluentes, quanto do ponto de vista econômico, porque cria uma insegurança no setor – afirmou Casagrande. O parlamentar acrescentou que o programa do álcool no Brasil como fonte alternativa ao petróleo está consolidado e, neste momento, o que é necessário é dar segurança ao setor e aos consumidores.
O senador Francisco Dornelles (PP-RJ), integrante da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), tem opinião semelhante. A seu ver, mudanças pontuais na política do álcool servem para criar intranquilidade no mercado produtor. Ele destacou que cabe ao Executivo definir “regras bem firmes” para evitar fatos como esse.
– Como o (preço do) álcool subiu demais, o governo tenta agora reduzir a sua participação na gasolina, o que aumenta o estoque e provoca a redução do preço – explicou Dornelles.
O líder do PDT, Osmar Dias (PR), integrante da bancada ruralista no Senado, também considera a medida equivocada.
– Esse é um mercado cativo que os produtores de álcool têm e que agora vão perder para o setor do petróleo. Não entendo essa medida, talvez a mais interessada, nesse caso, seja a Petrobras – afirmou o parlamentar.
O pedetista deve propor, na retomada dos trabalhos legislativos em fevereiro, que o assunto seja debatido não só na comissão de Meio Ambiente mas em audiências conjuntas com as comissões de Agricultura e de Assuntos Econômicos.
– Essa não é uma medida boa nem do ponto de vista ambiental, nem do ponto de vista econômico – concluiu.