Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 2026

Senadores pedem mudança no sistema de votação das cassações de mandato

Um dia após a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), da acusação do Conselho de Ética de que não conseguiu comprovar rendimentos suficientes para pagar uma pensão de R$ 12 mil à jornalista Mônica Veloso, os debates em plenário na quinta-feira avaliaram o desgaste da Casa e a necessidade de mudanças nos sistemas de discussão e votação das propostas para cassação de mandatos. Presidente da Casa se arrepende de ter contratado jornalista

Quinta, 13 de Setembro de 2007 às 18:24, por: CdB

Um dia após a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), da acusação do Conselho de Ética de que não conseguiu comprovar rendimentos suficientes para pagar uma pensão de R$ 12 mil à jornalista Mônica Veloso, os debates em plenário na quinta-feira avaliaram o desgaste da Casa e a necessidade de mudanças nos sistemas de discussão e votação das propostas para cassação de mandatos.

O senador Cristovam Buarque (PT-DF) pediu em plenário que Renan se afastasse do cargo.
 
— Creio que este gesto traria uma paz ao Senado, daria tempo para que o senhor recuperasse toda a credibilidade pela competência que sempre demonstrou, faria com que o Senado voltasse a funcionar normalmente sob outra presidência. Enquanto isso, poderíamos recuperar, aqui, todas as feridas, todas as dificuldades e a credibilidade que hoje o Senado, o Congresso e a democracia perdem —, disse.

Renan agradeceu a proposta, afirmou que "a democracia é bela porque permite momentos como este" e foi para seu gabinete, onde passou o resto do dia.

Ainda no plenário, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou que em 20 anos nunca viu a Casa "tomar tanto pau" (da imprensa) como nesta quinta-feira. E sobre um possível acordo para a absolvição de Renan em troca de uma licença da presidência, acrescentou:
 
— Se Renan quiser, renuncie ao cargo. Licença para ficar o vice [primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC)], isso não. Se quer ficar, que agüente as outras três representações que vêm por aí —, afirmou Simon.

Estão no Conselho de Ética duas representações contra o presidente do Senado: a que requer investigações de denúncia de que ele teria feito gestões junto a órgãos federais para beneficiar a cervejaria Schincariol e outra que trata de denúncias de que o parlamentar teria utilizado "laranjas" para adquirir veículos de comunicação em Alagoas.

O petista Delcídio Amaral (MS) afirmou que a sessão secreta de ontem, destinada a apreciar o projeto de resolução do Conselho de Ética sobre a cassação do mandato de Renan, foi "um faz de conta", enquanto as informações do que se discutia no plenário vazavam à imprensa.

Já o peemedebista Almeida Lima (SE) fez um pronunciamento baseado em artigo em que o jornalista Paulo Henrique Amorim afirmou que a absolvição de Renan Calheiros representou "a maior derrota da imprensa brasileira depois da reeleição do presidente Lula". Usando as palavras do jornalista, o senador acusou a imprensa de "elitista e golpista". E lembrou que nesta quinta-feira, indagado por jornalistas se Renan se afastaria do cargo, respondeu que o presidente do Senado "estaria arrumando suas gavetas se tivesse sido derrotado". Ele acrescentou que "não respeitar decisão da maioria é tirania própria das ditaduras".

Renan permanece no cargo

Renan Calheiros (PMDB-AL) foi taxativo ao afirmar, nesta quinta-feira, que não pretende se licenciar do cargo, conforme quer a oposição. Em entrevista à Rádio Gaúcha, Renan avaliou ser o homem certo para a Presidência do Senado.

- Se eu não tiver condições de presidir o Senado, quem vai ter nesse quadro de absoluta divisão? Todos perderam (com o episódio). Eu perdi mais. Ganhou a democracia - avaliou.

Ao contrário de parte dos senadores, Calheiros manteve-se favorável ao voto fechado em determinadas situações, quando o interesse é proteger o eleitor dos interesses da mídia, dos grupos econômicos e políticos.

- Não sou contra o voto aberto. Mas pode haver pressões de setores da mídia, econômico e político. Nessas situações precisamos proteger o eleitor para valer a consciência e não a pressão - disse.

Calheiros também garantiu que não pretende se licenciar do cargo.

- Não pensei absolutamente nada sobre isso. Vou me recolher com minha família para descansar um pouco - disse..

O presidente do Senado também acredita que resultado da votação, de 40 votos contra 35 favoráveis a s

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