Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro de 2026

Senadores pedem afastamento de Renan, que promete provar inocência

Terça, 09 de Outubro de 2007 às 18:21, por: CdB

A sessão plenária do Senado Federal foi marcada nesta terça-feira por uma seqüência de apelos e discursos de parlamentares da base do governo e da oposição para que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) se afaste da presidência da Casa.

Mais uma vez, Renan manteve-se irredutível e, da tribuna, disse que "irá até o fim" para provar sua inocência em relação às denúncias que tem recebido desde abril.

Entre os peemedebistas, Pedro Simon (RS), Valter Pereira (MS) e Garibaldi Alves (RN) pediram que Renan se licencie do cargo, sob o argumento de ele que não teria mais credibilidade para conduzir os trabalhos da Casa.

— Vossa Excelência não pode colocar a sua decisão pessoal acima do conjunto do Senado. Há uma unanimidade, o Senado estão no chão, há uma crítica generalizada ao contexto geral do Senado —, afirmou Simon.

Quando Renan chegou ao plenário, às 16h20, o líder do PDT, Jefferson Peres (AM), já ocupava a tribuna para tentar convencer os senadores de que o alagoano não tem condições de ficar na presidência.

— No PDT, o sentimento da maioria é de que o senador Renan Calheiros perdeu as condições para presidir o Senado Federal —, disse Peres.

Renan tentou mostrar tranqüilidade nos discursos que se revezavam, mas não se conteve em alguns momentos.

O peemedebista irritou-se, por exemplo, quando foi lembrado por Aloizio Mercadante (PT-SP) que teria aceito discutir seu afastamento da presidência após o processo de julgamento de seu pedido de cassação, caso fosse absolvido.

— Eu infelizmente vou me abster do seu discurso e me abstenho de comentar o aparte de vossa excelência —, afirmou Renan, deixando a tribuna e encerrando o aparte do colega petista.

Mercadante rebateu. Já sentado na cadeira da presidência, Renan ouviu dele que o sentimento para sua saída do cargo é de senadores e senadoras da bancada do PT.

A líder do PT, Ideli Salvati (SC), pediu a palavra e afirmou que, entre os petistas, não cabe uma decisão de bancada a respeito do afastamento ou não de um presidente do Senado.

— A regra da Casa é que, mesmo que os 80 senadores peçam o afastamento, esta deliberação é do senador Renan —, afirmou, reconhecendo, que cresce na bancada o sentimento de que, com o senador fora da presidência, os trabalhos no Senado poderiam fluir com maior tranqüilidade.

Eduardo Suplicy (PT-SP), por sua vez, ponderou que, fora do cargo, Renan "se forteleceria" para fazer a defesa nas quatro representações que tramitam contra ele, três no Conselho de Ética e outra protocolada hoje à Mesa Diretora.

Um dos personagens da denúncia publicada pela Veja neste fim de semana, Demóstenes Torres (DEM-GO), protagonizou outro momento tenso na sessão.

Ele e o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) foram apontados pela revista como vítimas de suposta espionagem promovida por Francisco Escórcio, funcionário do gabinete da Presidência do Senado, afastado hoje por Renan.

Demóstenes pediu aos técnicos do Senado que rodassem a gravação de uma conversa telefônica entre um jornalista da Folha de São Paulo e o advogado Eli Dourado, citado na matéria da Veja.

Na gravação, o advogado confirma que Escórcio e o empresário Pedro Abrão tiveram um encontro de cerca de 40 minutos, mas afirma não saber o teor da conversa.

Segundo a revista, Escórcio teria procurado Abrão para que ele colocasse câmeras de vídeo no hangar onde o empresário guarda seus aviões, para tentar flagar o uso irregular dessas aeronaves por senadores Demóstenes e Perillo.

Em discurso, Demóstenes ressaltou que Escórcio não tem poder legal para promover investigações, inclusive com supostas instalações de câmeras de vídeos em hangar de aeroporto.
O senador lembrou que Escórcio admitiu ter ido a Goiânia para levantar um material contra o governador do Maranhão, Jackson Lago, seu desafeto político.
 
— O caso de Jackson Lago é localizado ao Maranhão —, justifico

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