O depoimento do advogado Roberto Teixeira foi cancelado na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. A pedido do líder do Democratas, Agripino Maia (DEM -RN), os cinco senadores presentes na reunião desta quarta-feira aprovaram requerimento para que Ricardo Teixeira fosse ouvido depois dos três sócios da VarigLog, que não compareceram à Casa. Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel participam no Tribunal de Justiça de São Paulo de uma sessão de julgamento do recurso, interposto por eles, para reintegrarem o quadro societário da Volo.
- Aguardamos para ouvir antes os que dizem ter documentos que comprovam o pagamento de US$ 5 milhões [na negociação] e depois ouvir Teixeira para que ele confirme ou negue. Se ouvirmos Teixeira agora, ouviremos apenas a versão dele - afirmou Agripino.
Teixeira é acusado de receber a quantia para ajudar na venda da Varig e já guardava na ante-sala para depor, quando ficou sabendo do cancelamento da sessão. O adiamento pode gerar problemas de data, devido ao recesso legislativo que começa na segunda semana de julho. Segundo Agripino, a idéia é ouvi-lo antes disso.
Freud explica
A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu acusa Teixeira de ter feito pressão para agilizar a venda das empresas aos estrangeiros. Em recente comentário sobre as suspeitas de Denise Abreu, Lula disse que achou o depoimento vazio.
- O que percebi é que o resultado é como se espremesse uma laranja e não tivesse caldo, porque na verdade ela não tinha o que fazer - disse.
De acordo com o presidente “só Freud explica” tanto tempo perdido no depoimento, que durou cerca de oito horas.
- Vejo pessoas perderem oito, dez horas do seu tempo perguntando para as pessoas coisas que não têm a menor importância, a não ser para justificar a própria reunião. Eu fico com pena - afirmou.
O presidente reafirmou que a venda da Varig passou apenas pela Justiça e não envolveu o governo, e que quer ver como o jornal que acreditou na denúncia de Denise Abreu “vai sair dessa”.
Sobre o depoimento de Roberto Teixeira, Lula também disse que não há qualquer motivo de preocupação por parte do governo.