A artilharia contra o salário mínimo proposto pelo governo ganhou força quando vários senadores fizeram discursos duros reivindicando um reajuste maior. Mas os líderes governistas mantêm o otimismo quanto à aprovação da medida provisória que estipula o valor de R$ 260.
Senadores da oposição e do próprio PT, como Paulo Paim (RS) e Serys Slhessarenko (MT), dão como certa a rejeição do valor definido pelo governo e apostam que será aprovado a proposta de PSDB e PFL, de R$ 275.
"O Senado não vai se curvar às pressões para aprovar a MP do mínimo. Nesta Casa, os 260 reais não passam", disse o senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO), um dos tucanos mais moderados dentro do Senado. Paim, que defende R$ 300 para o mínimo, enfatizou na tribuna que seu objetivo não é derrotar o governo, tampouco testar a força de articulação do Planalto. Para ele, a aprovação de um valor superior aos R$ 260 não significa uma derrota para o Executivo.
"O governo não é Deus. Não acho que só cabe a ele indicar ou dizer que esse é o valor máximo possível", disse Paim. Na semana passada, o senador gaúcho disse acreditar que 53 senadores votariam contra os R$ 260.
Também discursaram contra o mínimo do Palácio do Planalto os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), José Agripino (RO), líder do PFL, e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Em resposta à avalanche de pronunciamentos contra os R$ 260, a líder do PT, Idelli Salvatti (SC), lembrou que discursos em tribuna não são um bom termômetro para resultado de votações, sobretudo quando a investida do Planalto para costurar acordos e convencer os senadores aliados ainda é tímida. "Vamos colocar em votação quando houver condições políticas favoráveis", afirmou a líder do PT, que espera votar a MP na próxima semana.
Segundo Idelli, a estratégia do Executivo para os senadores da base aliada será semelhante à usada na Câmara dos Deputados, quando os parlamentares ouviram os argumentos e sentiram uma pressão constante, dos ministros Aldo Rebelo (Coordenação Política), Antonio Palocci (Fazenda), Amir Lando (Previdência) e Eunício Oliveira (Comunicações).
O trabalho do governo já começou hoje com encontros entre Rebelo e os senadores Aelton Freitas (PL-MG) e Paulo Elifas (PMDB-RO). Amanhã, Palocci se reúne com a bancada aliada pela manhã. Na semana que vem, Lando deve se encontrar com os senadores.
O maior problema do governo é o PMDB, que detém a maior bancada na Casa com 22 senadores. Se o resultado da Câmara se repetir, ou seja, a bancada peemedebista ficar praticamente divida, o governo deve ser derrotado.
Segundo as contas do ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, no entanto, entre 17 e 18 senadores do PMDB acompanharão o governo. No final, o Planalto espera que as pressões rendam o mesmo resultado da Câmara. Antes da votação naquela Casa, um grupo de 21 deputados petistas assinou um documento contra os 260 reais. No plenário, apenas 5 ficaram na contramão da bancada.