Rio de Janeiro, 01 de Fevereiro de 2026

Senadores adiam investigação a Renan

Presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o senador Sibá Machado (PT-AC), cancelou, na manhã desta quinta-feira, a reunião do grupo de trabalho criado na noite desta quarta, com o objetivo de definir um cronograma para as investigações da representação do PSOL contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, por quebra de decoro parlamentar. Em nota, Sibá explicou que somente definirá o horário da reunião após escolher o novo relator do caso. (Leia Mais)

Quinta, 21 de Junho de 2007 às 09:27, por: CdB

Presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o senador Sibá Machado (PT-AC), cancelou, na manhã desta quinta-feira, a reunião do grupo de trabalho criado na noite desta quarta, com o objetivo de definir um cronograma para as investigações da representação do PSOL contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, por quebra de decoro parlamentar. Em nota, Sibá explicou que somente definirá o horário da reunião após escolher o novo relator do caso. O relator original era o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que, por motivos de saúde, foi substituído por Wellington Salgado (PMDB-MG). Este, por sua vez, renunciou, afirmando não ver, nos senadores do conselho, vontade de julgar alguém por quebra de ética.

- Eu sinto algo muito maior - disse o então relator.

Os membros do grupo de trabalho são os senadores Adelmir Santana (DEM-DF), Sérgio Guerra (PSDB-PE), Demóstenes Torres (DEM-GO), o corregedor da Casa, Romeu Tuma (DEM-SP) e o próprio Sibá.

Manobra arriscada

Alvo das acusações de improbidade administrativa e quebra de decoro parlamentar, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) também desistiu de comparecer, nesta quinta-feira, ao Conselho de Ética para se defender em processo que pode acabar em perda do mandato.

Uma comissão formada por cinco integrantes do conselho ainda vai definir a data para ouvir Renan e um novo roteiro de trabalho. Renan pediu para ser ouvido depois de ser derrotado na tentativa de arquivar o processo na sessão desta quarta-feira. Ele contava ter pelo menos sete dos 15 membros do Conselho a favor do arquivamento, mas perdeu apoios até em seu partido, o PMDB.

Numa sessão a qual compareceram todos os líderes partidários, senadores do PSDB, do DEM, do PT, do PSB e do PMDB disseram que precisavam de mais tempo para analisar a perícia contábil dos negócios agropecuários do presidente do Senado.

Os próprios senadores pediram a presença de Renan no Conselho para que esclarecesse as dúvidas que ainda permanecem.

- É inadiável que o senador Renan compareça a esta comissão para fazer sua defesa e submeter-se à análise dos seus pares e de todo o Brasil - afirmou o líder do PSDB Artur Virgílio.

Afastando a acusação de que os tucanos teriam ficado até agora em cima do muro no caso, o senador Sergio Guerra (PSDB-PE) disse que o partido votaria contra o relatório de Cafeteira.

Ele ponderou que não é apenas Renan que está sendo julgado neste caso e sim todo o Senado. Por isso, defendeu mais prazo para o processo e a presença de Renan no conselho:

- Por que Renan não vem aqui para apresentar seus argumentos a seus companheiros que votaram nele duas vezes para ser presidente do Senado?

A sugestão também foi feita pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que falou em nome de um grupo de senadores do bloco que compõe no Senado.

- Senador, compareça - conclamou Suplicy, afirmando que ninguém melhor que Renan para esclarecer o que falta.

Renan telefonou para o senador Romero Jucá (PMDB-RR), presente à sessão, e manifestou sua disposição de comparecer ao Conselho de Ética, mas voltou atrás da decisão, na manhã desta quinta-feira. Assessores do senador, que preferem o anonimato, disseram ao Correio do Brasil, nesta quinta-feira pela manhã, que a manobra seria arriscada:

- Os ânimos estão muito acirrados no conselho (de Ética) nesse momento.

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