A presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Cartões Corporativos, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), ameaçou deixar a presidência da CPMI se os requerimentos de acesso a informações sigilosas não forem votados na próxima semana.
- Se a oposição vir que não há como avançar nas investigações, serei a primeira a sair. Não estou aqui para brincar de senadora e não quero ficar três meses (prazo de duração da CPMI) discutindo o sexo dos anjos - disse ao chegar para o depoimento do ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, nesta quarta-feira.
A declaração foi uma reação às críticas feitas pela própria oposição de que a CPMI não quer ir fundo na investigação dos dados sigilosos. Marisa, no entanto, ponderou que a decisão de deixar a comissão é coletiva e deve ser tomada pelas lideranças partidárias.
A oposição acusa o governo de não querer avançar nas investigações com o argumento de que dados sigilosos não podem ser divulgados, pela possibilidade de comprometerem a segurança da Presidência da República.
- Se os requerimentos não forem votados, as lideranças partidárias vão tomar a decisão. Se decidirem que devemos ficar e bater até o último dia, ficamos. Se não, nos retiramos - completou a senadora.
Para o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), no entanto, é preciso ouvir os diretores da Agência Brasileira de Informação (Abin) no atual governo e no governo de Fernando Henrique Cardoso, para decidir se será possível ter acesso às informações sigilosas.
- Se eles convencerem a CPMI de que é essencial à segurança do Estado o sigilo, acho prudente manter. Se não, a CPMI tem autorização para tomar os rumos que achar necessários - disse o relator.
Luiz Sérgio também rebateu o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que ontem defendeu que a oposição deixe a CPMI caso os requerimentos não sejam votados.
- Essa é uma tática que começa a se revelar por aqueles que queriam a CPMI, mas não querem a CPMI para investigar - comentou.
O deputado negou que o depoimento de Jorge Hage possa se resumir a dados e gastos já divulgados pelo Portal da Transparência.
- É fundamental que ele também possa esclarecer que medidas já foram tomadas e quais os problemas que foram encontrados.
Depoimentos
A CPI do Cartão Corporativo, que nesta fase inicial ouve depoimentos de autoridades do governo federal, receberá, nesta quarta-feira, os ministros da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, e do Planejamento, Paulo Bernardo.
Paulo Bernardo deve falar sobre os critérios de distribuição dos cartões corporativos e Jorge Hage sobre a fiscalização e a divulgação de parte dos gastos no Portal da Transparência, na internet.
Na terça-feira, a CPI ouviu o procurador do Ministério Público no Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico, que pediu o cancelamento do uso dos cartões e o ex-ministro do Planejamento no governo Fernando Henrique Paulo Paiva.
Polêmica
O primeiro dia da Comissão de Inquérito foi marcada de muitas polêmicas. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), reforçou o apelo para que os parlamentares da oposição abandonem a comissão na próxima semana caso os requerimentos que pedem a abertura das despesas sejam derrotados pela maioria governista.
- Defendo uma postura de radicalização da oposição. Se for o caso, com a retirada da CPI, para não legitimar uma farsa. Não quero ser confundido com um pizzaiolo - afirmou Dias.
A CPI investiga o mau uso dos cartões corporativos no governo federal nos governos Lula e FH.