Mesmo sem dispor de matérias "urgentes ou de interesse público relevante para votar", os senadores também receberão dois salários extras no mês de julho, com a iniciativa do governo de manter a Câmara em atividade para não atrasar a votação das reformas tributária e da Previdência. A solidariedade custa caro ao contribuinte. A folha de pagamento da convocação dos parlamentares é de mais de R$ 15 milhões. Há ainda o pagamento extra de servidores e as despesas de funcionamento da Casa que, segundo técnicos do Congresso, somam outros R$ 15 milhões na Câmara e no Senado. Aos senadores caberá apenas a apreciação de medidas provisórias que não se enquadram no critério de "urgente e relevante", exigido para a convocação extraordinária. Cada um dos 81 senadores e dos 513 deputados receberá em julho - além do salário bruto normal de R$ 12,72 mil - R$ 12,72 no início da convocação e mais R$ 12,72 mil no final, ou o total bruto de R$ 38,16 mil. O senador Paulo Paim (PT-RS) começou a colher assinaturas para a proposta de emenda constitucional que acabaria de uma vez por todas com o recesso do meio do ano. Segundo ele, a ''folga'' não faz mais sentido diante dos avanços tecnológicos e de transporte que facilitam o deslocamento e a comunicação do parlamentar com sua base. Paim já tem 15 das 27 assinaturas necessárias. ' - Isso vai acabar com o constrangimento que estamos passando de receber extra, sem ter o que votar' - alegou.