O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou nesta sexta-feira que não teve tempo de anunciar publicamente que havia recebido cópia de documentos provenientes da Casa Civil contendo gastos de cartões corporativos do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso antes de se pronunciar sobre o assunto no Senado, no dia 31 de março.
– Na segunda-feira, quandou fui à tribuna, reafirmei que vi o documento, comprovei a existência do dossiê. A Veja já havia divulgado na véspera – disse o senador.
– Não tive tempo, a imprensa foi mais rápida. Eu recebi a informação de que estavam fazendo o dossiê algum tempo atrás. Mas apenas na semana em que o documento foi divulgado é que eu tive acesso a ele. na semana anterior, não houve tempo. Não houve tempo porque na quinta-feira habitualmente nós viajamos – acrescentou, em entrevista no aeroporto de Congonhas (SP).
Dias voltou a negar que tenha vazado o documento para a imprensa. Também negou que tenha sido seu assessor, André Fernandes, quem recebeu cópias enviadas da Casa Civil.
Questionado a respeito das providências que tomou ao ser informado por Fernandes sobre o recebimento desse material, Dias afirmou que pediu a ele o documento.
– Pedi a ele, queria ver o documento. Ele me forneceu as cópias e pediu que fizesse sigilo da fonte. Eu, claro, com a prerrogativa constitucional de que disponho, guardei sigilo da fonte. Eu não seria digno da confiança dele se revelasse a fonte.
Perguntado se está incomodado com essa situação, o senador respondeu que não. “Estaria incomodado se eu recebesse um documento, um dosssiê, com objetivos excusos e me silenciasse sobre ele".
Na quinta-feira, Dias afirmou à imprensa que os documentos foram repassados por seu assessor, que teria recebido via e-mail do secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Pires.
O e-mail teria sido localizado na perícia que está sendo feita Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) em nove computadores da Casa Civil, a pedido da própria pasta.
Por meio da assessoria de imprensa, a Casa Civil reafirmou hoje que só se pronunciará sobre o assunto após o término das investigações da Polícia Federal (PF).
Em nota divulgada hoje em seu site, o ITI informa que "procedeu à auditoria" dos computadores conforme as questões apontadas pela Comissão de Sindicância Investigativa da Casa Civil e que “caberá, somente, a essa Comissão elaborar e encaminhar relatório conclusivo à autoridade instauradora, bem como, manifestar-se sobre o assunto”.
O ofício de solicitação dessa auditoria foi feito no dia 2 de maio e, segundo a assessoria de imprensa do ITI, o relatório foi entregue à comissão no início desta semana.