Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Senador afirma que divergências atrapalham relação Brasil-Argentina

Sexta, 03 de Junho de 2005 às 09:39, por: CdB

O senador Marco Maciel (PFL-PE) anunciou em discurso no Plenário, nesta sexta-feira, que vai encaminhar à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional uma proposta de criação de  fórum parlamentar permanente de interlocução entre o Brasil e a Argentina. As divergências entre os chefes de Estado não contribuem para a integração econômica, política e cultural dos povos dos dois países, argumentou Maciel.

O senador considera que até mesmo o Mercosul nos últimos dois anos tem registrado retrocesso por conta dessas divergências e, em sua opinião, será pela via política que o Brasil vai desenvolver o intercâmbio com a Argentina. Ele citou o cientista político italiano Norberto Bobbio, de acordo com o qual a política externa teria ocorrido, no século passado, como algo privativo do Poder Executivo, sem a participação da sociedade. 

- Hoje, contudo, os parlamentos se afirmam, cada vez mais, como palavra da nação, também na formulação da política internacional. A iniciativa, não tenho dúvida, ensejará fluído e constante diálogo, antecipando-se à exacerbação de tensões e conflitos e, igualmente, estabelecendo condições para melhor explorar ações conjuntas também de médio e longo prazos no plano bilateral e no regional, leia-se Mercosul - declarou o representante pernambucano.

O ex-presidente argentino Juan Domingo Perón, que dominou o cenário político daquele país na segunda metade do século XX, também foi citado por Maciel: "No futuro ou estaremos unidos ou dominados", dizia Perón. Maciel ressaltou o contexto em que o ex-presidente fez a declaração, na década de 40.

- No plano geral, as circunstâncias econômicas e políticas vividas pela Argentina no período da Primeira Guerra Mundial, na Grande Depressão que se seguiu, e na Segunda Guerra Mundial eram substancialmente diferentes daquelas vividas pelo Brasil. Havia poucos indícios de que a cooperação econômica poderia se constituir em fator essencial para o progresso das duas nações - comparou.

Por outro lado, a evolução do comércio internacional naquele período indicava que países como a Argentina e o Brasil deveriam reorientar suas economias no sentido da industrialização, como ressaltou Marco Maciel. Para ele, o crescimento demográfico e o avanço da urbanização já indicavam, naquela época, a necessidade de aumentar a capacidade de geração de empregos, e a agricultura e as atividades extrativas já se revelavam, por si sós, insuficientes para promover o objetivo.

Em aparte, o senador Sibá Machado (PT-AC) disse que a América do Sul deve seguir o exemplo da União Européia, cujos países chegaram a adotar uma mesma moeda e criar um tribunal comum. Maciel lembrou que a França e a Alemanha, que travaram três guerras nos últimos dois séculos, são os dois líderes principais da União Européia.

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