Informações de deputados que tiveram acesso à sessão secreta do Senado Federal, nesta quarta-feira, indicam que há uma tendência favorável a manutenção do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), no cargo. Segundo os parlamentares, 12 senadores não compareceram.
Por volta das 14h, senadores subiram ao púbito para discursar, entre eles, Tião Viana (PT-AC), que na parte da manhã levou um soco do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) no tumulto provocado por 13 deputados que queriam ter acesso à votação, liberada por decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) trocou socos com um segurança que impediu sua entrada no plenário da Casa. Outros parlamentares entraram na briga. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) deu um soco no senador Tião Viana (PT-AC) e pediu desculpas. Segundo ele, a agressão foi acidental.
Ao abrir a sessão do plenário do Senado, o senador Tião Viana (PT-AC) criticou a decisão do ministro do STF que permitiu a um grupo de deputados acompanhar a reunião secreta no plenário.
- Não vejo como dar guarida à presença dos deputados. Não se mostra razoável, seja do ponto de vista político, seja do ponto de vista jurídico. Se o ministro entendesse que a sessão fosse púbica, aceitaríamos. Mas não foi isso - criticou.
A sessão plenária foi aberta por Viana, que a tornou fechada depois de encerrada a discussão sobre a decisão do STF. Com o início da discussão sobre o projeto que recomenda a cassação de Renan, o plenário foi esvaziado. Somente os senadores, dois funcionários da Casa e advogados de defesa e a acusação poderão estar presentes no plenário - além dos deputados que conseguiram a autorização do STF.
Os deputados da chamada terceira via estão sentados, lado a lado, na tribuna de honra do plenário --local reservado a autoridades. Eles não ocupam cadeiras dos senadores por falta de espaço no plenário do Senado. Renan está sentado em uma das cadeiras do plenário, ao lado dos outros parlamentares. Até às 12h, 79 dos 81 senadores registraram presença.
O peemedebista tenta demonstrar tranqüilidade, mas não quis dar entrevistas quando chegou à Casa Legislativa esta manhã. Renan chegou acompanhado de seu advogado, Eduardo Ferrão, com quem deve dividir o tempo de 30 minutos para apresentar sua defesa oral na sessão plenária.
Pelo PSOL, responsável pela acusação contra Renan, a ex-senadora Heloísa Helena (AL) vai fazer o discurso como representante da acusação. Antes da defesa e da acusação apresentarem suas posições, os senadores terão dez minutos cada para discutir o projeto que recomenda a cassação de Renan.