O Senado quer explicações do governo sobre o eventual apoio e participação no Programa Nuclear do Irã. A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional aprovou nesta quinta-feira o convite para o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, para prestar esclarecimentos sobre o assunto. O tema é considerado polêmico e ganhou novos elementos depois que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, informou que haverá enriquecimento de até 20% do urânio.
A iniciativa para que Amorim compareça ao Senado foi do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), vice-líder da oposição na Casa. O senador pediu ainda a aprovação de um voto de pesar da Casa à família do oposicionista cubano Orlando Zapata – que morreu nesta quarta-feira depois de 85 dias de greve de fome. A morte foi confirmada no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitava Cuba.
Os partidos de oposição querem saber em detalhes qual a posição do governo brasileiro sobre o Programa Nuclear do Irã. Em várias ocasiões, Amorim afirmou que o governo é favorável ao desenvolvimento de um programa para fins pacíficos e que defende o desarmamento. Porém, um grupo de países liderado pelos Estados Unidos levanta dúvidas sobre o programa iraniano.
Para os governos dos Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra e Russia, o anúncio de Ahmadinejad de que as usinas iranianas enriquecerão o urânio a 20% foram interpretadas por algumas autoridades estrangeiras como uma ameaça. Para elas, o governo do Irã poderia ter no seu programa nuclear projetos para a construção de armas e bombas.
O presidente Ahmadinejad nega as acusações. Amorim reitera que é necessário buscar o diálogo entre as Nações Unidas e o governo do Irã. Em novembro de 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente iraniano, em Brasília. O encontro foi criticado por vários setores da sociedade brasileira e no exterior.
Além da aprovação do convite a Amorim, o senadores querem ainda um encontro com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, na próxima quarta-feira, quando ela estará em Brasília. A solicitação será feita pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O pedido foi encaminhado pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF).
Sabatina
Preparado para passar pela sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado, primeira etapa para a aprovação pela Casa da mensagem presidencial que permitiria a nomeação para o cargo de embaixador do Brasil no Equador, nesta manhã, o diplomata Fernando Simas Magalhães foi surpreendido por um pedido de vista feito pelo senador Fernando Collor (PTB-AL). A prerrogativa parlamentar inviabilizou a sessão.
Fernando Collor explicou que a iniciativa de requerer mais tempo para analisar a mensagem presidencial decorre da relação “inamistosa” do governo Equatoriano para com o Brasil. O parlamentar disse que houve uma mudança de patamar nas relações do atual governo do Equador com o Brasil.
A crise diplomática entre Brasil e Equador teve seu ápice em 2008 quando o presidente Rafael Correa decidiu submeter a uma arbitragem internacional a decisão de não pagar dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de US$ 597 milhões. À época, o Ministério das Relações Exteriores chamou o embaixador brasileiro em Quito, Antonio Marques Porto e Santos, para consultas.
Antes disso, o governo Correa determinou a expulsão, do Equador, da construtora brasileira Norberto Odebrecht e interveio em cinco obras realizadas pela empresa. Além disso, quatro diretores da construtora tiveram seus direitos constitucionais suspensos pelo governo equatoriano. A razão alegada foram problemas detectados na hidrelétrica San Francisco.
Matéria atualizada às 13h54.