O ministro da Defesa, Nelson Jobim, participará de reunião extraordinária da Comissão de Relações Exteriores do Senado na próxima quarta-feira, às 10h, para tratar exclusivamente do anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva da compra de 36 caças franceses. Os parlamentares querem saber detalhes da negociação. O acerto da reunião foi feito nesta quarta-feira, pela manhã, entre o presidente da comissão, Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o próprio ministro. Segundo Azeredo, Jobim reafirmou que o processo de compra está aberto a todas as empresas credenciadas.
Na noite passada, Jobim afirmou a um grupo de parlamentares que o Ministério da Defesa brasileiro ainda não encerrou o processo de licitação para compra de 36 aeronaves de combate. Em posterior comunicado à imprensa, o ministério disse ainda que as negociações continuam “com os três fornecedores”. Além da francesa Dessault, participam da licitação a norte-americana Boeing e a sueca Saab.
A mensagem contraria a afirmação do chanceler Celso Amorim, feita na segunda-feira, de que o Brasil havia iniciado um processo de negociação com a francesa Dessault e que o “mesmo não se aplicava aos outros dois concorrentes”. O negócio pode chegar a US$ 4 bilhões. Ao anunciar o “início de negociação” com a Dessault, na segunda-feira, o governo brasileiro não esclareceu se o fato significava o fim da licitação, ou seja, se as outras duas empresas estavam descartadas do processo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega francês, Nicolas Sarkozy – que esteve em Brasília no feriado – confirmaram que os dois países estão em negociação, o que, segundo eles, pode levar meses.
Licitação
Durante sua passagem pelo Brasil, a equipe de Sarkozy trouxe um novo elemento à mesa de negociação: A França se comprometeu a comprar 10 aeronaves de transporte militar brasileiras, fabricadas pela Embraer. A nota do Ministério da Defesa diz que, “diante desse fato novo... as negociações junto aos três participantes serão aprofundadas” e que as propostas apresentadas até o momento podem ser “eventualmente redefinidas”.
A Defesa também havia informado, na semana passada, que o ministro Nelson Jobim aguarda o relatório técnico do Comando da Aeronáutica com análise de prós e contras de cada fabricante. A decisão final será do presidente Lula, que no domingo falou abertamente sobre sua preferência pela empresa francesa. A França teria oferecido melhores condições para transferência de tecnologia, faltando apenas a definição dos preços.