Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Senado pode mudar a escolha dos suplentes

O caso Calixto trouxe a tona no Senado a idéia de mudar o critério de escolha dos suplentes, geralmente recrutado pelos titulares ou pelos partidos entre parentes, amigos, financiadores de campanha ou cabos eleitorais. (Leia Mais)

Domingo, 08 de Fevereiro de 2004 às 07:15, por: CdB

O caso Calixto trouxe a tona no Senado a idéia de mudar o critério de escolha dos suplentes, geralmente recrutado pelos titulares ou pelos partidos entre parentes, amigos, financiadores de campanha ou cabos eleitorais.

O empresário Mário Calixto, suplente do senador Amir Lando (PMDB-RO) ¿ atual ministro da previdência ¿ teve a sua posse anulada pelo Senado por ser alvo de 147 processos, inclusive uma condenação criminal que suspendeu seus direitos políticos.

Os senadores Jefferson Peres (PDT-AM) e Eduardo Suplicy (PT-SP) pretendem reapresentar projetos arquivados na legislatura passada que, aprovados, podem acabar com o emprego fácil na Casa. A atual lei já permitiu que 20% da composição do Senado fosse de suplentes. Em setembro de 1998, véspera de eleição, 19 dos 81 senadores eram substitutos.

Suplicy defende a idéia de que os partidos ou coligações apresentem, na ocasião da eleição do titular, quatro candidatos a duas vagas de suplente. Ganhariam os mais bem votados.

Nos EUA, a figura do suplente não existe. Se o senador morre ou renuncia, o governador do estado que ele representa, autorizado pela assembléia local, nomeia um substituto e convoca nova eleição.

O senador Sibá Machado (PT-AC), por exemplo, chegou ao Congresso como suplente da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente. Sibá é antigo militante petista e seu nome foi aprovado pelo diretório regional, regra do partido, para ser o substituto de Marina. Disputou e perdeu três eleições no Acre: deputado federal (1994), prefeito (1996) e deputado estadual (1998). Sibá diz que ficaria mais à vontade se tivesse a aprovação popular. ¿ A população não votou em mim. Fico desconfortável. A regra atual não é boa, tira a autoridade do suplente ¿ admite.

Já o senador Valmir Amaral (PMDB-DF) ganhou seis anos e nove meses de mandato ao assumir a cadeira de Luiz Estevão, cassado por denúncia de corrupção.

Doadores de campanha também viram suplentes

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), quando renunciou em 2001, entregou a vaga ao filho mais velho, o empresário e professor Antonio Carlos Magalhães Júnior. Reeleito em 2002, manteve o filho como primeiro suplente.

Nomear para suplente doadores generosos é outra praxe. O caso mais clássico é o empresário paulista Gilberto Miranda, uma espécie de suplente profissional no Amazonas. Em 1990, assumiu a vaga de Carlo de Carli por quatro meses. Na legislatura seguinte, virou titular, ganhando sete anos do mandato de Amazonino Mendes, eleito governador. Hoje, é segundo suplente de Gilberto Mestrinho.

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