Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Senado manda à Justiça notícia-crime contra Buratti

Quarta, 27 de Fevereiro de 2008 às 09:44, por: CdB

O Senado encaminhou ao Ministério Público, nesta quarta-feira, o pedido de notícia-crime contra o advogado Rogério Buratti. A decisão foi aprovada, pela manhã, em reunião da Mesa Diretora da Casa e foi motivada por notícias publicadas na imprensa de que Buratti teria mudado o depoimento que deu à Justiça e à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos em 2005. Ele era acusado de envolvimento em esquema de pagamento de propina na gestão do ex-ministro Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Em depoimento à Justiça e à CPI dos Bingos, Buratti disse que houve fraude em contratos com a empresa de limpeza pública, Leão Leão. A empresa teria pago propina ao PT e teria recebido tratamento preferencial da prefeitura de Ribeirão Preto na gestão de Palocci.

De acordo com o senador Efraim Morais (DEM-PB), ex-presidente da CPI dos Bingos, em junho do ano passado, no entanto, Buratti apresentou uma retratação de seu depoimento a um cartório em São Paulo alegando ter sido coagido a fazer as declarações.

- Fiquei perplexo porque ele veio a esta Casa sob juramento e depois, simplesmente, negou tudo. Ele nunca foi coagido na CPI. Pelo contrário, foi tratado com respeito - disse Efraim.

O senador afirmou que a decisão de enviar notícia-crime contra o advogado serve para que a prática de retratação de depoimento não se torne corriqueira.

- Imagina se isso vira rotina nesta Casa ou em qualquer tribunal. Temos de resguardar o Senado. Isso vale para o Buratti e para qualquer um - afirmou.

O pedido de notícia-crime contra Buratti foi aprovado na mesma semana em que o ex-ministro e atual deputado federal, Antonio Palocci (PT-SP), teve denúncia encaminhada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ao Supremo Tribunal Federal por conta da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, em 2006. Palocci teria mandado a Caixa Econômica Federal quebrar o sigilo quando ainda era ministro. Na época, as movimentações financeiras do caseiro foram publicadas por uma revista semanal. Francenildo Costa havia acusado o ex-ministro de frequentar uma casa alugada por lobistas em Brasília.

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