Rio de Janeiro, 02 de Fevereiro de 2026

Senado encerra as investigações com renúncia de Jader

Bastou uma carta, de próprio punho, para o ex-senador Jader Barbalho livrar-se do processo que poderia apontar o seu envolvimento no desvio de recursos do Banpará. O volume de dinheiro furtado daquela instituição ultrapassa os R$ 300 milhões, segundo estimativas do senador Romeu Tuma, que liderou as investigações do caso

Sexta, 05 de Outubro de 2001 às 08:39, por: CdB

O senador Jader Barbalho esperou o encerramento da sessão do Senado, nesta quinta-feira, para mandar um assessor, no início da noite, entregar a carta de renúncia ao mandato e se livrar do processo que poderia o incriminar no desvio de cerca de R$ 300 milhões do Banpará, segundo cálculos do ex-policial federal e senador Romeu Tuma, responsável pelas investigações sobre o caso na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. A carta foi entregue ao presidente da Casa, senador Ramez Tebet, e será lida em plenário nesta sexta-feira. O documento mais esperado dos últimos meses na política brasileira foi entregue por Barbalho na véspera da apresentação, pelo senador Antônio Carlos Valadares, do parecer sobre a abertura de processo contra o senador paraense. Mas com a renúncia, o processo por quebra de decoro parlamentar será arquivado e Barbalho não perderá os direitos políticos, podendo candidatar-se ao governo do estado do Pará, como pretende, ou mesmo ao Senado, em 2002. Barbalho deixou Belém, capital do Pará, de manhã bem cedo, em um jatinho particular, e não se sabe ao certo o seu paradeiro. Especula-se que o senador tenha se deslocado para o estado do Ceará, onde possui uma casa de veraneio. Barbalho é suspeito de desviar verbas do Banpará (Banco do estado do Pará) e da extinta Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). Com a renúncia, Barbalho não ficará livre dos inquéritos criminais contra a sua pessoa, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a quebra de seu sigilo bancário. Os procuradores de Justiça no Pará poderão pedir aos juízes federais medidas contra o ex-senador, que corre o risco de ir parar na cadeia.

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