Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Senado dos EUA avalia resolução sobre a Venezuela

Quinta, 20 de Maio de 2004 às 19:02, por: CdB

O Senado dos Estados Unidos está avaliando uma resolução que pede respeito ao processo de confirmação de assinaturas que acontece neste mês na Venezuela e que pode levar à convocação de um referendo contra o presidente Hugo Chávez, disseram fontes do Congresso na quinta-feira.

Segundo uma cópia da resolução obtida pela Reuters, o Senado "conclama ao respeito do resultado do esforço para validar essas assinaturas e o resultado de qualquer referendo revogatório subseqüente, se tal referendo for levado a cabo de maneira justa e transparente".

A resolução foi apresentada por dois senadores republicanos, Richard Lugar e Norm Coleman, e por dois democratas, Christopher Dodd e Joseph Biden, todos membros da influente Comissão de Relações Exteriores do Senado.

A Venezuela, um dos principais fornecedores de petróleo dos EUA, vive momentos de tensão a poucos dias de um processo de confirmação das assinaturas.

A oposição venezuelana disse ter recolhido mais do que as 2,4 milhões de assinaturas necessárias para a convocação do referendo, mas as autoridades eleitorais reconheceram apenas 1,9 milhão delas, submetendo outras 1,2 milhão ao processo de confirmação por parte de seus autores.

A resolução do Senado dos EUA pode ser aprovada na noite de quinta-feira, segundo uma fonte da Comissão de Relações Exteriores.

O Senado frequentemente emite resoluções sobre países com conflitos, e o texto sobre a Venezuela reflete a preocupação de alguns parlamentares com a crise política, segundo fontes do Congresso.

Chávez tem uma relação tensa com os EUA, país ao qual acusa de participar em complôs para tirá-lo do poder, inclusive por meio de golpes. Washington rejeita as acusações.

"O espírito da resolução é apoiar e manter a atenção sobre o processo, e não cair em um intercâmbio rancoroso que permita a Chávez desviar a atenção da mensagem desta resolução", disse um assessor parlamentar.

A resolução "tenta impulsionar a democracia e o fim da crise política na Venezuela" e expressa seu "forte respaldo" aos esforços de mediação da Organização dos Estados Americanos, do Centro Carter e do chamado "Grupo de Amigos", formado por Brasil, EUA, Chile, México, Portugal e Espanha.

A resolução também pede aos venezuelanos que busquem uma saída constitucional, pacífica, democrática e eleitoral, e às forças de segurança do país que respeitem os direitos humanos.

Aos meios de comunicação venezuelanos, o apelo é para que atuem de maneira imparcial, sem incitar à violência. Quanto ao governo, o texto pede que permita que "grupos cívicos pacíficos e democráticos recebam treinamento e assistência internacional".

Tags:
Edições digital e impressa