Funcionários e ex-funcionários dos departamentos de Estado e Defesa dos Estados Unidos serão envolvidos na disputa - de ano eleitoral - em torno de quem deve ser responsabilizado por não ter impedido o 11 de Setembro.
O secretário de Estado, Colin Powel; sua predecessora, Madeleine Albright; o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e seu predecessor, William Cohen, testemunharão, a partir desta terça-feira, diante de uma comissão do Senado que investiga os atentados de 2001.
Seus testemunhos serão dados após revelações bombásticas feitas no fim de semana por Richard Clarke, um ex-funcionário dos serviços de luta contra o terrorismo dos governos de George W. Bush e Bill Clinton.
Clarke disse que o governo Bush não levou a sério a ameaça da Al-Qaeda antes dos atentados em Nova York e Washington e que, depois do 11 de setembro, o presidente tentou sem sucesso ligar os ataques ao Iraque.
"O governo Bush, quando chegou ao poder, acreditava que Clinton e seu governo estavam 'muito obcecados com a Al-Qaeda", disse Clarke em seu livro recém-lançado "Against All Enemies" (contra todos os inimigos).
Bush fracassou ao não reagir à ameaça da Al-Qaeda - a despeito de vários alertas - e então deu passos óbvios após os atentados, lançando uma guerra desnecessária ao Iraque, diz Clarke no livro.
Ele afirma ainda que Clinton identificou o terrorismo como grande ameaça do período pós-Guerra Fria e trabalhou para aumentar as defesas antiterror dos EUA, mas foi enfraquecido por ataques políticos e não conseguiu fazer com que a Agência Central de Inteligência (CIA), o Pentágono e o FBI (polícia federal) tratassem a ameaça de forma adequada.
A Casa Branca reagiu nesta segunda-feira dizendo que Bush levou em conta a ameaça da Al-Qaeda e que seu governo começou a trabalhar numa estratégia para eliminar Osama bin Laden quase imediatamente depois de assumir o poder, em 2001.
Segurança nacional tem sido um assunto político quente à medida que se aproximam as eleições presidenciais de novembro. Democratas dizem que Bush e a Casa Branca deram ao terrorismo muito pouco peso e focaram demais no Iraque. Republicanos dizem que o governo Clinton fez muito pouco contra a Al-Qaeda, deixando o problema para Bush.