Reunir governos, intelectuais e movimentos para debater o saldo de mais uma década de gestões de esquerda na América Latina e no Caribe, além dos desafios políticos, econômicos e sociais que se apresentam. Com este objetivo, tem início amanhã (30), na cidade brasileira do Rio de Janeiro, o seminário "Governos de esquerda e progressistas na América Latina e no Caribe: balanço e perspectivas”, que se estenderá até o dia 2 de julho.
Organizado pelas fundações Perseu Abramo e Mauricio Grabois, com apoio da Fundação Friedrich Ebert, da Alemanha, Coppe – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o evento tem participação confirmada de conferencistas e debatedores da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Equador, México, Paraguai, Peru, Porto Rico e Venezuela.
Nas 11 mesas de debate programadas para os três dias, questões como estratégias socialistas na região, conquistas sociais, integração e autonomia serão o foco de acadêmicos, intelectuais e políticos de esquerda, tendo como pano de fundo a conjuntura geopolítica internacional, com o aprofundamento da crise do sistema capitalista.
Diretora da Fundação Perseu Abramo e secretária de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores (PT), Iole Ilíada destaca que a importância do seminário reside no esforço de realizar uma análise mais direcionada e aprofundada da realidade latino-americana e caribenha sobre governos de esquerda e progressistas.
"Nós queremos fazer uma análise sistematizada dessa última década, do sentido estratégico dessas mudanças vindas com os governos de esquerda, do caráter estrutural delas. Por exemplo, analisar se em um país desses, caso a esquerda venha a perder, as condições voltam a ser como antes ou permanecem, tendo se tornado estruturais”, esclareceu.
Iole salienta que, de acordo com dados econômicos e sociais, as gestões de esquerda na região promoveram melhorias para a população em vários aspectos, como mais democracia, distribuição de renda melhor equilibrada e soberania.
Com relação à autonomia, ela considera que houve "progressos notáveis, pois os governos conseguiram integrar a região econômica e politicamente, e há esforços até de integração infra-estrutural”.
Citou exemplos como a União de Nações Sul-americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que será um organismo regional paralelo à Organização de Estados Americanos (OEA). Nesse sentido, o seminário aborda ainda os 20 anos do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a experiência da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba).
"Percebemos uma integração crescente, e sem a tutela dos EUA. Antes, toda tentativa de integração era tida a partir de um maestro que era os EUA. Agora, é uma integração soberana, também em aspectos infra-estruturais. Temos que avançar muito nesse sentido, em uma inserção cada vez mais soberana”, arremata.
Serviço
O seminário ocorre na sede da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no campus Cidade Universitária, localizado na Ilha do Fundão, Zona Norte do Rio de Janeiro.