Rio de Janeiro, 28 de Abril de 2026

Semana para refletir

Por Mauro Santayana - Crise de credibilidade do Congresso abrirá espaço para os "cacarecos" nas eleições de 2006. São geralmente nomes populares por serem radialistas, jogadores de futebol e cantores de música popular, mas sem nenhum espírito público. A renovação nem sempre é positiva. (Leia Mais)

Segunda, 19 de Dezembro de 2005 às 12:38, por: CdB

Como em todos os anos, esta é uma semana de trégua. Brasília se esvazia, com os parlamentares e altos membros do Poder Executivo de volta a seus estados. Depois do feio papel do Plenário, com a absolvição de Romeu Queiroz, depois da condenação de Dirceu, os deputados chegam ressabiados a suas bases. Como, em tese, o voto foi secreto, é claro que muitos, diante da reação da opinião pública, se declararão inocentes. Como diz a sabedoria popular, "filho feio não tem pai".

Mas as articulações continuam. Elas são intensas, nestas horas em que os cumprimentos de fim de ano servem de prólogo para a troca de informações e de prognósticos. A partir de janeiro o tempo começa a correr mais rápido: serão dez meses até o primeiro dia de outubro, domingo, que o TSE marcou para as eleições parlamentares e o primeiro turno da escolha do presidente da República e dos governadores dos Estados. As articulações para valer dependem da decisão do TSE sobre a verticalização das alianças. Se mantida essa decisão, o primeiro turno será apenas o jogo preliminar, porque cada partido, para a sua sobrevivência, deverá partir para a candidatura própria, sem a qual será difícil "puxar" a votação para as assembléias legislativas e para a Câmara dos Deputados. O grande jogo, no caso da votação majoritária, estará nas alianças do segundo turno.

A tendência, neste momento, é a de estabelecer pacto de intenções, para o caso em que se mantenha o sistema das últimas eleições. A experiência demonstrou que a verticalização engessa os partidos e, em lugar de os fortalecer, debilita-os, porque os filiados e simpatizantes se sentem atraídos pelas alianças naturais nos Estados, sem levar em conta a decisão dos diretórios. É o retorno, de forma diferente, do famoso "voto camarão", dos tempos do autoritarismo militar, hoje ainda mais fácil, com as urnas eletrônicas.

Os últimos fatos indicam que, se os atuais parlamentares não descobrirem um meio de reabilitar o Congresso diante da opinião nacional, a renovação será bem maior do que se pensa. O problema é que a renovação não significará, necessariamente, a melhoria da representação. O voto de protesto não é bom. Mesmo no passado, quando a qualidade do Parlamento era bem melhor, surgiam sempre os "cacarecos", geralmente nomes populares por outras razões (radialistas, jogadores de futebol, cantores de música popular), mas sem nenhum espírito público. O fenômeno poderá repetir-se, se os cidadãos não estiverem atentos à biografia dos candidatos.

Em busca da unidade

As cisões partidárias são tradicionais na política, principalmente no Brasil. Os dois grandes partidos da República de 46, a UDN e o PSD, surgidos ambos em Minas, viviam de traições de um lado e de outro. Uma dissidência pessedista, comandada por Carlos Luz, em 1947, favoreceu a eleição do Sr. Milton Campos para governador de Minas. Outra cisão, desta vez de responsabilidade do Sr. José Maria Alkmin, permitiu a eleição do Sr. Magalhães Pinto contra o Sr. Tancredo Neves, o que mudou a história do Brasil. Se Tancredo tivesse sido eleito governador, em 1960, não teria havido o golpe militar quatro anos depois.

Em razão disso, Tancredo tornou-se um obstinado construtor da unidade. A Ulysses e a Montoro, que eram notórios adversários no PMDB de São Paulo, disse reiteradas vezes que, sem a unidade do Partido, fosse em eleições diretas, fosse no confronto no Colégio Militar, seria inútil a disputa em 1985. É em busca dessa unidade que o Sr. Orestes Quércia está disposto a trabalhar, a fim de que o PMDB possa oferecer ao Brasil a alternativa entre Lula e os tucanos. Ele dispõe, para isso, de autoridade irrefutável: foi um dos fundadores do partido em São Paulo e talvez seja o mais antigo de seus dirigentes no Brasil.

Essa proeminência é sentida pelos militantes de base, bem como é reconhecida a coerência política: nunca deixou o PMDB, ao qual se filiou ainda muito moço. Isso o deixa à vontade para defend

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