Permanecer na região central da cidade de São Paulo é o desejo das centenas de famílias de sem-teto que há mais de quatro anos ocuparam o edifício Prestes Maia, na região do Bairro da Luz. A possibilidade foi sinalizada nesta quinta-feira, com a assinatura de um termo de cooperação técnica entre os governos federal, estadual e municipal, que prevê R$ 20 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para financiar moradias de famílias de sem-teto.
De acordo com a coordenadora- geral do Movimento dos Sem-teto do Centro (MSTC), Ivaneti de Araújo, responsável pela organização do Prestes Maia, parte da verba deverá financiar a compra de apartamentos em endereços não muito distantes do edifício invadido. O prédio estava abandonado até novembro de 2002, quando as famílias decidiram ocupar o imóvel mesmo diante das precárias condições: sem elevador e com instalações deterioradas.
A chance de o movimento negociar a compra do Prestes Maia foi descartada por Ivaneti. Segundo ela, o proprietário deve mais de R$ 5 milhões só em impostos municipais.
Ivaneti classificou como "uma conquista vitoriosa" o fato de as três esferas governamentais terem fechado um acordo para "uma causa social". Ela destacou que "foi um grande salto de qualidade", referindo-se tanto às discussões realizadas na última quarta-feira, em Brasília, como o encontro de quinta,, no gabinete do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com o ministro das Cidades, Márcio Fortes, e o secretário estadual da Habitação, Lair Krähenbühl, onde foi protocolado o termo de cooperação técnica.
Embora tenha considerado um avanço do movimento, a líder dos sem-teto observou que continua diante de "uma dor de cabeça", como definiu a pressão exercida pelo proprietário do edifício para que as famílias saiam do local. Há uma ordem judicial dando prazo até domingo, dia 15, para desocupação do imóvel.
- Mas esperamos que ainda hoje (sexta-feira) a Justiça atenda a nossa solicitação para que tenhamos mais tempo até concretizar as negociações, já em andamento, para as moradias -, disse.
Ivaneti informou que no final da tarde desta sexta-feira haverá uma reunião com as famílias para definir que tipo de opção elas vão aderir. Se a decisão for continuar na região central, poderão receber uma bolsa-aluguel por seis meses, enquanto aguardarão a compra de prédios destinados a eles. Há ainda a opção de uma carta de crédito para a escolha de moradias ou ainda a possibilidade de compra de alguma das unidades habitacionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
Sem-teto querem permanecer na região central de SP
Sexta, 13 de Abril de 2007 às 15:29, por: CdB