Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Sem-teto organizam onda de ocupações

Organizada pela União dos Movimentos de Moradia (UMM), uma série de ocupações de imóveis ocorreu na cidade de São Paulo, durante a madrugada desta segunda-feira. As ações tiveram início por volta da 1h, quando cerca de mil manifestantes do Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC) entraram em confronto com a Tropa de Choque da Polícia Militar, durante a invasão de um quartel desativado da PM na avenida do Estado, Parque Dom Pedro, no Centro de São Paulo. (Leia Mais)

Segunda, 19 de Abril de 2004 às 06:21, por: CdB

Organizada pela União dos Movimentos de Moradia (UMM), uma série de ocupações de imóveis ocorreu na cidade de São Paulo, durante a madrugada desta segunda-feira. As ações tiveram início por volta da 1h, quando cerca de mil manifestantes do Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC) entraram em confronto com a Tropa de Choque da Polícia Militar, durante a invasão de um quartel desativado da PM na avenida do Estado, Parque Dom Pedro, no Centro de São Paulo.

Os organizadores do movimento garantem que os protestos e ocupações vão continuar por todo o Brasil. O objetivo é chamar a atenção do governo para a falta de moradia. Entre as reivindicações do movimento estão a aprovação do fundo de moradia popular para a famílias com renda de até três salários mínimos e audiência com os governadores dos Estados e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para controlar o movimento, a PM chegou a atirar bombas de efeito moral e balas de borracha contra a multidão, o que deixou várias pessoas feridas. Uma das vítimas é o fotógrafo Anderson Prado, do diário paulista Agora São Paulo. Ele foi atingido na perna esquerda e socorrido em seguida no Pronto-Socorro da Santa Casa de São Paulo. No mínimo, oito manifestantes foram encaminhados para o 1º Distrito Policial da Sé.

Na Zona Leste da capital, outro grupo de cerca de 400 manifestantes da Unificação das Lutas de Cortiços (ULC) tentaram ocupar, por volta da meia-noite, um imóvel da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) na rua Barão de Tietê, próxima ao viaduto Guadalajara, mas a polícia tomou a iniciativa e conseguiu evitar a ocupação.

A madrugada continuou tensa em São Paulo. Cerca de 300 pessoas ocuparam um prédio abandonado da empresa Fibra/SA, na avenida Nações Unidas, em frente ao Shopping SP Market, na Zona Sul. Os manifestantes foram retirados à força pelas tropas de choque. Dois outros prédios da CDHU, na Estrada do Campo Limpo, Jardim Umarizal, também na Zona Sul, foi tomado por 750 pessoas. Embora tenham sido retirados pela polícia, os sem-teto continuam nas imediações e garantem que voltarão à carga.

A única ocupação realizada com sucesso foi em um terreno do CDHU na rua José Barros Magaldi, Jardim São Luiz, também na Zona Sul de São Paulo. Cerca de 180 pessoas ligadas ao Fórum de Moradia do Capão Redondo ocuparam o local após a meia-noite. Segundo Roque Coelho de Mendonça, membro do Fórum, o grupo pretende negociar a área com o governo do Estado para a construção de habitações populares.

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