Coordenador nacional do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Bruno Maranhão garantiu nesta quarta-feira, que pretende ser um dos principais cabos eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco, na campanha à reeleição. Ele também pretende se reintegrar à executiva nacional do PT, onde ocupava o cargo de secretário de mobilização popular até ser afastado devido à invasão e depredação da Câmara, ocorridas durante manifestação dos sem-terra. Para isso, Maranhão disse que vai pedir ao PT que o convoque com urgência para depor à comissão de ética do partido, onde pretende esclarecer o que chamou de "grande injustiça".
Líder sem-terra, preso por 38 dias, Maranhão reafirmou ser inocente e acusou os opositores do governo de tentar responsabilizá-lo pelo vandalismo. "Jamais a direita vai me usar", declarou. Segundo ele, apenas 15 integrantes do MLST participaram da depredação. Maranhão disse ainda que vai pedir ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-AL), que se "retrate publicamente" de afirmações contidas no artigo assinado por ele, publicado no diário paulista Folha de S. Paulo em 8 de junho, dois dias após o quebra-quebra.
No texto, intitulado Reagi em respeito do povo, o deputado opina sobre a manifestação do MLST e explica as medidas que tomou em relação à invasão e à depredação. Para o Maranhão, Rebelo "mentiu" e "cedeu às pressões" da oposição. O líder sem-terra contestou, entre outras coisas, a afirmação do parlamentar de que a "Polícia Legislativa da Câmara teve um comportamento sem reparos nesse episódio" e que de não houve violência dos agentes.
- Fui preso fora da Casa, na rua, levado para uma sala na Câmara, onde levei um tapão na orelha, já algemado. Aldo estava baratinado, não teve estatura política para segurar uma bronca como essa - afirmou. A assessoria da presidência da Câmara informou que Rebelo não se manifestaria sobre as declarações.