Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Sem-terra protestam contra mudança no Incra-MS

Segunda, 28 de Janeiro de 2008 às 15:52, por: CdB

Em protesto contra a substituição do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Luiz Carlos Bonelli, sem-terra e assentados pela reforma agrária no Mato Grosso do Sul realizaram nesta segnda-feira bloqueios nas principais rodovias federais que cruzam o Estado.

Mais de 3 mil pessoas bloquearam seis pontos diferentes nas rodovias BR-163, BR-262 e BR-267, no extremo sul e região leste do Estado, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal. Os bloqueios foram iniciados por volta de 7 horas, e terminaram no início da tarde.

Além do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), participam das manifestações outras quatro entidades, todas contra a substituição do superintendente. A direção nacional do Incra em Brasília não confirma a saída de Bonelli, mas o senador Valter Pereira de Oliveira (PMDB-MS) afirma o contrário, apontando como substituto o professor universitário Flodoaldo Alencar Alves, filiado ao PMDB no Estado. 

O coordenador da Federação da Agricultura Familiar (FAF), Paulo Cezar de Farias, afirma que Flodoaldo não vai assumir o cargo. Geraldo Teixeira, presidente da maior organização de sem-terra em número de filiados, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), manifestou a mesma disposição da FAF. O MST e a Coordenadoria Rural da Central Única de Trabalhadores (Cut-Rural) também manifestaram apoio aos protestos. 

No início da tarde aconteceu um conflito entre sem-terra e a Polícia Militar quando os manifestantes resolveram retomar o bloqueio na BR-163, distrito de Anhandui, em Campo Grande. Policiais utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os 300 manifestantes. Dois ônibus e cinco automóveis foram apreendidos no local. No Parque dos Poderes, centro político-administrativo do Estado, saídas e entradas foram vigiadas com barreiras policiais.

Um grupo de 10 sem-terra foi preso e liberado em seguida, o que poderá aumentar os protestos, segundo prevêem dirigentes do MST. Apesar disso, o senador Oliveira disse que a movimentação não prejudica a mudança.

Bonelli, retornou nesta segunda ao trabalho, depois de cumprir o período de férias. Ele informou que ainda não têm elementos necessários para falar sobre o assunto, e se manifestará quando for possível.

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