No Paraná, apesar do frio e da chuva, muitos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) passaram a noite nas praças de pedágio invadidas nesta quarta-feira. Integrantes do movimento levaram, para as praças, colchões, cobertores, redes e comida. Alegam que só se retiram quando as tarifas forem reduzidas.
Cerca de 1.200 integrantes do MST ocuparam nove das 17 praças de pedágio que tiveram as tarifas reajustadas. Em protesto contra o aumento, eles abriram as cancelas e liberaram a passagem dos motoristas. Divididos em grupos de cerca de 150 pessoas, assumiram o controle das praças por tempo indeterminado. Na maioria delas, os manifestantes cortaram fios de câmeras filmadoras e cabos de energia.
O governo também reagiu ao reajuste médio de 15,34% das tarifas, protocolando um recurso no Tribunal Regional Federal (TRF) em Porto Alegre e assinando uma portaria que instala processo administrativo de inadimplência contra a concessionária Ecovia. A medida pode resultar na decretação da caducidade (nulidade) do contrato com a empresa.
As concessionárias Rodonorte, Econorte e Viapar, por meio da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, pediram a reintegração de posse. O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, pediu, no Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre, a suspensão do aumento para as tarifas de pedágio das quatro concessionárias que entraram na Justiça.
O Governo argumenta que o aumento não pode ser concedido enquanto não terminar a auditoria que investiga as contas das concessionárias. Devido ao tumulto nas estradas paranaenses, o Governo do Paraná anunciou que entra nesta quinta-feira com um processo administrativo contra as concessionárias de pedágio, excluindo apenas a Caminhos do Paraná, com quem fechou um acordo. O governo apresentará as 180 irregularidades encontradas pela auditoria que investigou as concessionárias, a maioria de natureza contábil.