Mais de 100 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam, na manhã deste sábado, em Ribeirão Preto, uma área privada que está penhorada pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Segundo o grupo, a intenção dos sem-terra é reinvindicar ao governo a área da Fazenda da Barra, da Fundação Sinhá Junqueira, que fica em frente e tem 1.780 hectares. O coordenador do MST na região, Edvar Lavrate, disse que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) constatou que a Da Barra é improdutiva, além de ter sofrido danos ambientais que somam pelo menos US$ 1 milhão.
— A área dessa fazenda dá para assentar centenas de famílias da região, fazendo um cinturão de produção de alimentos — comentou Lavrate, informando que a fazenda deve ser destinada para a reforma agrária ou reflorestada.
A área fica perto do centro urbano, quase às margens da Rodovia Anhangüera e da rotatória de acesso ao Aeroporto Leite Lopes. Segundo Lavrate, a propriedade não poderia ser destinada para construções de casas urbanas, pois a área é sensível, já que no subsolo está um dos pontos de recarga do Aqüífero Guarani.
Os barracos começaram a ser montados logo cedo pelos sem-terra, na maioria da própria cidade, segundo Lavrate.
— Vamos iniciar um trabalho de educação, alfabetização e plantar uma horta, além de reflorestar uma parte degradada pelos fazendeiros — disse o líder do grupo, considerando que a ocupação é um "empréstimo", sem danos ao proprietário.
Lavrate assegurou que as famílias levaram alimentos para cerca de três meses de estadia, além de que, com o cadastramento ao Incra, poderão ter acesso a cestas básicas no decorrer do tempo. Com a iocupação, o número de famílias poderá até aumentar.
— Será uma luta de paciência, resistência e precisamos do apoio da sociedade ribeirão-pretana — comentou Lavrate. Quanto à proximidade com o meio urbano, ele considerou que, para a reforma agrária dar certo no Brasil, é preciso que os assentamentos tenham infra-estrutura básica e energia, o que não ocorre na maioria dos casos.
— Geralmente os assentamentos são feitos nas piores áreas e cerca de 60% dos nossos acampamentos pelo País ainda não têm energia elétrica e estão muito afastados das cidades — mencionou ele. A ocupação foi pacífica, sem problemas, e qualquer medida judicial contra os sem-terra deve ser tomada a partir de segunda-feira.