O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirma que as 400 famílias que ocuparam a fazenda AgroReservas, em Unaí (MG), estão sendo ameaçadas por jagunços armados.
- "Na segunda-feira mesmo, eles dispararam vários tiros à noite para cima. Não sei se foi para rumo. Se foi, não chegou aqui porque eles não estavam perto. Mas eles atiraram várias vezes para cima - disse a integrante do movimento Elisana Monteiro.
O promotor da Vara de Conflitos Agrários de Minas Gerais, Luiz Carlos Martins, disse que o movimento informou a ele que estariam ocorrendo as ameaças.
- Recebemos informações de ameaças, de abordagens de funcionários da fazenda que estariam portando armas de fogo e essa ação estaria de certa forma intimidando os trabalhadores rurais - declarou Luiz.
Ele afirma que o MST precisa declarar formalmente ao Ministério Público o que está acontecendo na ocupação.
- Precisa do relato formal, inclusive, com relação a eventuais emissões de uma ação da polícia com relação a obrigação estatal de proteger a quem quer que seja - explicou.
Dez policiais militares de Minas Gerais estão na fazenda 24 horas, a uma distância de cerca de 500 metros da ocupação. O gerente financeiro da AgroReservas, Helton Vecchi, diz que não há jagunços na propriedade.
- Não temos nem segurança armada dentro da nossa propriedade. Temos três portões com pessoas desarmadas com rádio, o único instrumento que eles utilizam para fazer a segurança da fazenda - declarou.
O MST afirma também que todas os acessos à fazenda foram fechados pelos jagunços. Helton diz que os portões foram interditados com caçambas para impedir a entrada de ônibus com mais trabalhadores rurais.
- Fechar o acesso não. Com medo de mais invasão via portões, colocamos caçambas que utilizamos para a colheita dos nossos grãos, interditando parte dos portões para que somente veículos menores pudessem entrar, que são os nossos veículos de trabalho - disse.
Um dos coordenadores do MST do Distrito Federal e do Entorno, Gaspar Martins, afirma que mais famílias irão se deslocar para a ocupação. Eles entram na fazenda atravessando um córrego, vindo de uma propriedade vizinha.
Os repórteres foram autorizados pelos gerentes da fazenda a entrar na propriedade, mas somente puderam chegar perto da ocupação dos sem-terra acompanhados de um relações públicas da empresa AgroReservas.