Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Pernambuco deixaram a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que ocupavam, nesta quarta-feira, após reunirem-se com a superintendente do Instituto, Maria de Oliveira.
Desde o início da semana, os sem-terra ocuparam os prédios do Incra.
As ações tem o objetivo de cobrar do governo federal o cumprimento dos sete pontos estabelecidos entre o governo e os representantes do movimento durante a Marcha Nacional da Reforma Agrária, que ocorreu em maio deste ano.
O coordenador estadual do movimento, Jaime Amorim, disse que os agricultores decidiram aguardar o resultado das negociações.
O movimento reivindicou rapidez na liberação dos títulos de posse das terras desapropriadas para fins de reforma agrária, além da substituição de nove dos 22 procuradores agrários do instituto.
Segundo o movimento, 45 áreas permanecem com processos "travados" na procuradoria, por falta de interesse desses profissionais.
A superintendente do Incra, Maria de Oliveira, afirmou que a substituição dos procuradores não dará agilidade ao processo porque não modificariam os prazos exigidos por lei para a imissão de posse de terras desapropriadas.
- Temos um processo lento. A lei determina 48 horas para que a justiça conceda imissão de posse ao governo federal, das terras desapropriadas, no entanto, esses documentos demoram meses para sair, o que atrasa o atendimento às famílias acampadas - informou.
Ela disse que o processo de vistorias de terras improdutivas está sendo realizado normalmente e que 20 áreas estão prontas para as ações de desapropriação.
Entretanto, lembrou Maria de Oliveira, sem a liberação do documento de imissão de posse pela justiça, o Incra fica impedido de criar novos assentamentos.
A superintendente do Incra disse ainda que a meta para este ano é assentar 4,5 mil famílias sem-terra no estado.