Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais (MTR), grupo dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), não esperaram os policiais que tinham ido retirá-los da Fazenda Alvorada, em Lindoeste, no oeste do Paraná, invadida segunda-feira.
Depois de anunciar que pretendiam resistir a qualquer tentativa de desocupação, as cerca de 300 pessoas que invadiram a fazenda tomaram a decisão de deixar o local no início da manhã.
Às 10h30, quando 200 policiais militares chegaram à fazenda, foram surpreendidos. Restavam apenas parte dos barracos e uma residência totalmente destruída, além de fogueiras ainda fumegantes. A ordem que tinha sido dada pelo secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, era que todos os ocupantes fossem indiciados por prática de esbulho possessório, ato violento para retirar a posse de algo que pertence a outra pessoa.
Os policiais fizeram uma busca na fazenda de 585 hectares, pertencente ao ex-deputado federal Edi Siliprandi, mas encontraram apenas colchões e roupas abandonados. Alguns policiais permanecerão no local para evitar a ocorrência da quarta invasão da propriedade.
O delegado de Lindoeste, Antônio Donizeti Botelho, instaurou inquérito para identificar os líderes da invasão.
— Há fortes indícios de furto de gado e equipamentos, danos qualificados e esbulho possessório — disse. Foram encontradas carcaças de gado.
Em Cruzeiro do Oeste, no noroeste do Paraná, a polícia prendeu nesta quarta mais dois sem-terra suspeitos de terem matado o assentado Francisco Nascimento de Souza, de 29 anos, na semana passada, próximo ao Assentamento Nossa Senhora Aparecida, no vizinho município de Mariluz. Com eles havia quatro revólveres calibre 38 e uma espingarda.
Outros três sem-terra já estão presos desde sábado e a polícia ainda tem um mandado de prisão para cumprir. Todos negam participação no crime. O MST acusa fazendeiros da região de terem ordenado a morte do assentado.