Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária

Por Emir Sader - O mundo não nos aparece tal como ele é. Senão, segundo Marx, não teríamos necessidade da ciência, da reflexão teórica, para captamos seus significados. (Leia Mais)

Terça, 18 de Março de 2008 às 10:06, por: CdB

O mundo não nos aparece tal como ele é. Senão, segundo Marx, não teríamos necessidade da ciência, da reflexão teórica, para captamos seus significados.

A teoria não nasce da teoria, nasce das distintas práticas, individuais e sociais, mas ela representa um momento específico de reflexão, de deciframento dos mecanismos do concreto, de apreensão dos seus sentidos, das suas articulações internas, da própria relação entre teoria e prática. Os que se apropriam do saber – como destacou Foucault – detem grande parte do poder, porque impõem seus significados às coisas, as chamam pelos nomes que lhes convém, dizem o que é o real e tornam invisível o que lhes importuna e os descoloca. Criar um outro mundo possível requer criar outra forma de elaboração teórica e outra forma de articulação com a realidade concreta.

A teoria não existe sem a prática, ela é sempre teoria de uma determinada prática, ainda que a não nomeie, ainda que se articule justamente para esconder a que prática – e a que interesses - ela remete.

Por isso a prática é implacável com os erros da teoria, cobra caro pelos erros teóricos.

O mundo hoje requer uma nova leitura, pelas tantas transformações que se deram nas ultimas décadas. Porém, essa leitura não pode prescindir de partir das melhores referências para sua compreensão – a obra de Marx e de Engels. Uma releitura de algumas das suas principais obras, não para encontrar verdades reveladas, mas para reencontrar seus princípios metodológicos, é ainda o melhor instrumental para captar o movimento do real em suas múltiplas dimensões.

O curso livre que a Boitempo e a Margem Esquerda organizam a partir do dia 18 de março na PUC de São Paulo, é um convite à reflexão teórica voltada para a prática revolucionária que o esgotamento do capitalismo requer. Trata-se de exposições sobre algumas das principais obras de Marx e Engels – Ideologia Alemã, Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, os Manuscritos Econômico-Filosóficos, o Manifesto Comunista, A Sagrada Família, Sobre o Suicídio.

Os interessados em participar podem escrever para cursolivre@boitempoeitorial.com.br ou ligar para 011-38757285.

Aí poderão obter a programação precisa do curso, com datas e expositores de cada obra. Conforme o interesse e a receptividade, o curso poderá ser reproduzido em outras cidades do Brasil.

Emir Sader é jornalista.

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