Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Sem Sudene Nordeste perde R$ 3,83 bilhões

Sexta, 12 de Dezembro de 2003 às 01:22, por: CdB

A extinção da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o adiamento por parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva na sua recriação já provoca um prejuízo para a Região Nordeste de R$ 3,83 bilhões.

O valor deveria estar sendo investido por parte dos empresários caso os repasses do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) não tivessem sido reduzidos ou suspensos nos três últimos anos. As contas foram feitas pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que se baseou em informações da própria Sudene.

Ele não sabe dizer quantos empregos deixaram de ser gerados com a paralisação dos investimentos produtivos, mas calcula que muitas vagas deixaram de ser criadas em conseqüência disso.

De acordo com o estudo apresentado pelo deputado pernambucano, nos últimos três anos - tempo em que a Sudene está sem funcionar - o governo deixou de repassar para o Finor R$ 1,27 bilhão, dos R$ 1,57 bilhão necessários.

Caso o tivesse feito, obrigaria os empresários a investirem recursos próprios, além dos provenientes de financiamento bancário, conforme determinação, para receber os incentivos. São estas ações somadas que resultariam para a Região Nordeste investimentos na ordem de R$ 3,83 bilhões.

O volume de recursos refere-se a 205 projetos que estavam em fase de implantação na época da extinção da Sudene, em maio de 2001.

Muitos dos empreendimentos estão hoje inviabilizados, pois, com a falta de recursos, o que foi investido até o momento pode ter se perdido. Para o deputado Raul Jungmann, os dados são suficientes para alertar o governo da necessidade da retomada da Sudene o mais depressa possível.

O deputado era ministro do Desenvolvimento Agrário do governo Fernando Henrique quando a Sudene foi extinta no rastro de denúncias de corrupção. Na época, Jungmann não criticou publicamente a decisão. Ele alega que por ser ministro não poderia contrariar uma posição do Governo e que para isso teria que 'pedir demissão'.

Jungmann ressalta, entretanto, que esteve, juntamente com o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), numa reunião com Fernando Henrique Cardoso quando expôs sua posição sobre a medida. Para ele, era necessário uma mudança na instituição, que estava refém de 'setores conservadores da política nordestina', mas a extinção não teria sido o melhor caminho.

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