Quinta, 09 de Fevereiro de 2006 às 17:59, por: CdB
Não é à toa que grande parte da publicidade em torno da nova versão filmada de Orgulho e Preconceito discorra sobre os belos cenários e a fotografia, já que essas são de longe as melhores coisas em um filme que consegue transformar a ágil sátira de Jane Austen em um romance gótico pesado.
O diretor Joe Wright e a roteirista Deborah Moggach parecem ter confundido Austen com as irmãs Bronte, com suas tramas recheadas de amantes desafortunados em um cenário de paisagens selvagens e tempestades rudes. Ao tirar da história a intrincada moldura de observação social do fim do século 18, o romance vira um melodrama cansativo.
A minissérie da BBC de 1995, com Colin Firth e Jennifer Ehle nos papéis principais, ainda é vista como a versão definitiva do livro, e será uma difícil conquistar o público com este filme, que não é nem uma tradução fiel, nem uma interpretação nova e interessante. Tudo parece apressado na história, enquanto as cinco irmãs Bennet, sua mãe vulgar e seu pai indulgente ficam sabendo da chegada do solteiro rico Charles Bingley a uma mansão local. A sra. Bennet (Brenda Blethyn) está ansiosa para casar bem suas filhas com cavalheiros, e ela é encorajada quando, durante um baile local, o sr. Bingley (Simon Woods) monopoliza a atenção de sua filha mais velha, Jane (Rosamund Pike).
Na mesma noite, a próxima filha na fila, Elizabeth (Keira Knightley), encontra um amigo de Bingley, o pedante sr. Darcy (Matthew MacFadyen), que não apenas se recusa a dançar, mas também é ouvido menosprezando Elizabeth e o resto do clã Bennet. A familiar história de Austen é acelerada até que o odioso sr. Collins (Tom Hollander), que vai herdar a casa dos Bennet, chega procurando uma esposa, e um regimento entra na cidade, incluindo o dúbio dr. Wickham (Rupert Friend), sempre pronto a tirar proveito da situação.
Várias das cenas mais conhecidas do livro foram incluídas nesta versão filmada, mas os romances entre Jane e Bingley e entre Elizabeth e Darcy não têm ritmo nem razão, já que o tema da sátira de Austen, o sistema de classes inglês, principalmente como as mulheres eram tratadas, é reduzido ao mínimo.
A imperiosa Lady Catherine de Bourg, interpretada por Judy Dench, recebe mais espaço na tela do que o necessário, enquanto pouco é dado a Donald Sutherland, que faz o papel do sr. Bennet, e que consegue apenas mostrar-se dócil. MacFadyen, um bom ator, praticamente não tem chance de competir com a lembrança do Darcy de Firth, já que sem o soberbo roteiro da série da BBC ele tem pouco a fazer além de parecer lindamente entediado. Knightley, jovem e risonha, não dá sinais de que está pronta para interpretar o papel de uma mulher com a inteligência e a sabedoria de Elizabeth.
Sem os insights sutis e espertos de Austen, deve haver uma razão para Darcy se apaixonar por Elizabeth, só que neste filme não se pode imaginar qual seja ela.
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