O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai alterar o programa "Primeiro Emprego" por meio de um projeto a ser enviado ao Congresso. O programa, lançado em 2003, incentiva empresas a contratarem jovens sem experiência, mas até o momento teve um resultado pífio. Lula também reafirmou que na quarta-feira vai tomar uma decisão sobre o reajuste do salário mínimo.
O programa Primeiro Emprego, lançado no ano passado, é prioritário do governo Lula, mas do jeito que foi aprovado, com proibição de demissão de funcionários, não atraiu o interesse dos empresários, justificou Lula.
- Pensamos na lei como sindicalistas (...) O empresário não quer assumir compromisso de não poder mandar ninguém embora - afirmou nesta segunda-feira o presidente Lula em discurso na fábrica da DaimlerChrysler, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
O evento marcou o lançamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que prevê a integração dos vários serviços de emergência realizados pelos municípios em um único número telefônico, 192, e distribuição de 1.480 ambulâncias. O programa prevê investimentos de 297 milhões de reais em 2004.
Durante o lançamento, Lula respondeu a cobranças do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, sobre reajuste do mínimo, atualmente em 240 reais, e correção da tabela do Imposto de Renda.
Lula chegou a brincar com o sindicalista, afirmando que, de um lado, a categoria pede redução na arrecadação (com corte de impostos) e de outro aumento de despesas. ``Vamos chegar a um acordo, Feijóo'', pediu o presidente.
Utilizando-se do mesmo discurso dos últimos governos, Lula disse que a questão do reajuste do salário mínimo passa pela Previdência Social, porque a cada 10 reais de aumento, 3 bilhões de reais são gerados em despesas. O governo também estuda uma forma de melhorar o salário-família, voltado para trabalhadores de baixa renda e com filhos, disse Lula.
A Central Ûnica dos Trabalhadores (CUT), à qual os metalúrgicos são ligados, levou a Lula a sugestão de que o salário mínimo passe dos atuais 240 reais para 300 reais (praticamente 100 dólares), mas a tendência dentro do governo é chegar apenas a 260 reais.