O feriado de Martin Luther King, que manteve fechados os mercados de Wall Street, tirou o apetite dos investidores da Bovespa nesta segunda-feira. A bolsa paulista fechou em queda, sob influência das commodities e dos mercados europeus.
O Ibovespa registrou desvalorização de 1,3%, aos 38.828 pontos.
A pasmaceira do pregão foi parcialmente quebrada pelo exercício de opções, que movimentou 1,18 bilhão de reais, levando o giro financeiro da sessão a 2,83 bilhões de reais.
Segundo operadores, as poucas transações do dia tiveram como baliza o desempenho das bolsas europeias e dos mercados de commodities, que tiveram um dia de perdas.
A cotação do barril caiu mais de 5% após a solução da disputa de gás entre Rússia e Ucrânia e com o cessar-fogo entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, que reduziram as preocupações de queda na produção.
O movimento arrastou Petrobras, a mais importante do Ibovespa, para uma baixa de 1,85%, a 23,83 reais.
Em outra frente, os mercados acionários europeus afundaram em meio a renovados temores quanto à solidez de grandes instituições financeiras, depois que o Bank of Scotland disse que deve ter registrado prejuízo de mais de 41,3 bilhões de dólares em 2008.
- A coisa esteve muito ruim lá fora - resumiu Américo Reisner, operador da Fator Corretora.
Internamente, análises pouco otimistas de corretoras para empresas de telefonia produziram um dia de perdas no setor, acrescentando pressão sobre o índice. Vivo foi a pior do dia, recuando 6,1%, para 31,65 reais. Tim Participações caiu 3,2%, para 3,01 reais.
Em relatório, a corretora Ativa reduziu a projeção de preço-alvo para ambos os papéis, citando a atualização de premissas macroeconômicas e operacionais.
Expectativo por Obama
De acordo com Dalton Luís Gardiman, economista-chefe da Bradesco Corretora, na terça-feira todas as atenções devem se voltar para a posse do presidente-eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, e nos primeiros sinais do novo governo para enfrentar a crise.
Nas últimas semanas, os mercados esboçaram algum otimismo, com a expectativa de um pacote fiscal para estimular a economia.
Segundo ele, se não houver novidades em relação ao que já tem sido veiculado pela imprensa, há boas chances de que a volatilidade permaneça alta, em meio a novos números corporativos e macroeconômicos ruins.
- Podemos ter um choque de realidade, o que derrubaria os preços para níveis ainda mais baixos - avaliou.