Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Sem medo do futuro, Brasil dá adeus ao FMI após 6 anos

O Brasil decidiu se despedir do Fundo Monetário Internacional e "andar com as próprias pernas", depois de mais de seis anos de amparo constante, mas garantiu que pretende seguir a cartilha de austeridade fiscal ditada pelo organismo internacional. (Leia Mais)

Segunda, 28 de Março de 2005 às 18:04, por: CdB

O Brasil decidiu se despedir do Fundo Monetário Internacional e "andar com as próprias pernas", depois de mais de seis anos de amparo constante, mas garantiu que pretende seguir a cartilha de austeridade fiscal ditada pelo organismo internacional.

A decisão de não renovar o acordo, anunciada nesta segunda-feira, foi elogiada pelo próprio Fundo e pelo governo norte-americano. Por outro lado, deixa alguns investidores receosos de que sozinho o país não seja capaz de enfrentar as turbulências externas.

"O Brasil não deve temer o seu próprio futuro", afirmou Palocci a jornalistas. "É certo que nos últimos quinze anos nós tivemos muitas idas e vindas, mas por que nós precisaríamos colocar na cabeça a dúvida de que isso vai sempre acontecer com o Brasil?"

O ministro destacou a firme performance fiscal e comercial do país e reiterou "a continuidade dos pressupostos mais importantes da política econômica". Nesse contexto, Palocci não descartou a possibilidade de elevar a meta fiscal de 4,25 por cento do PIB, apesar de considerá-la adequada no momento.

Questionado diretamente se o governo não cogita elevar a meta de 2005, Palocci disse: "vamos observar" e repetiu que o Brasil fará "sempre" o esforço fiscal necessário para manter a dívida pública em trajetória decrescente.

Em comunicado, o diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato, disse que apóia a decisão do país e que ela "reflete resultados impressionantes, em geral além das expectativas, da estabilização macroeconômica do Brasil".

Em tom semelhante, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow, afirmou que a não-renovação "é uma ótima notícia, um carimbo do comprometimento financeiro do país".

De acordo com Palocci, a decisão de não renovar o acordo foi amadurecida nos últimos 15 dias e a avaliação é de que a recente instabilidade externa --por conta do petróleo e das expectativas de aumento mais agressivo do juro nos EUA-- não afeta exclusivamente o Brasil.

Ele frisou que o governo quer evitar o clima de "foguetório" com a decisão. "O importante é o país não ter mais a necessidade do acordo, e não o fato de não renovar o acordo."

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a decisão de dar adeus ao FMI foi tomada "com serenidade e a tranquilidade de um governo que conquistou o direito de andar com as próprias pernas".

O Brasil estava desde o final de 1998 sob o amparo do FMI. Nesse período, o Fundo disponibilizou mais de 70 bilhões de dólares ao país. Nos últimos 15 meses, no entanto, o Brasil não sacou os recursos do FMI a que tinha direito.

Segundo o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, o país deve 23,2 bilhões de dólares ao FMI, recursos que terão de ser pagos ao longo dos próximos três anos.

"O Brasil caminhou bastante nos últimos dois anos, mas continua suscetível a choques externos. Nesses momentos de turbulência, você não ter o respaldo do FMI fica mais difícil", ponderou o economista Alex Agostini, da Consultoria GRC Visão.

Tags:
Edições digital e impressa