Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Sem medo das prévias

Segunda, 01 de Agosto de 2011 às 09:30, por: CdB

Já falei neste blog sobre prévias, mas o interesse do assunto no seminário da chapa “Partido que muda o Brasil”, em São Paulo, neste final de semana, leva-me a comentar o assunto mais uma vez. Falando à chapa que detém a maioria do diretório nacional do PT, disse que é certo que o Partido dos Trabalhadores conte com mais de um candidato à prefeitura de São Paulo. Os senadores Eduardo e Marta Suplicy, o ministro da Educação, Fernando Haddad, os deputados federais por São Paulo, Carlos Zarattini, Arlindo Chinaglia e Paulo Teixeira... Todos são nomes de lideranças do partido que têm apoio, além de credenciais para assumir a prefeitura. Todos têm condições de pleitear o cargo.

É importante que se diga: não se pode impedir alguém de ser candidato. Quanto a isso, só o congresso do partido pode mudar as regras das prévias. Qual é a preocupação do ex-presidente Lula e de vários dirigentes do PT a esse respeito? A consulta interna do partido sobre seus pré-candidatos não pode ser um instrumento para a desunião. Deve, ao contrário, ser um instrumento para o debate político, de forma que o filiado possa ter elementos para escolher o melhor candidato. Essa possibilidade é uma qualidade do PT, não é um defeito.

Pouca representatividade

Mas até as prévias podem ser aprimoradas. Tenho dado como exemplo os casos em que um candidato que não tem representatividade se inscreve, legitimamente. Pretende, assim, obter maior visibilidade para, mais tarde, lançar-se como candidato a deputado ou a vice-prefeito.

Em resumo, sou contra que o PT deixe de fazer prévias. Fomos nós que introduzimos no Brasil a eleição direta de dirigentes. Não vejo porque - se somos um partido aberto, totalmente transparente e público – devamos deixar de escolher nossos candidatos por meio de prévias.

Mas é fato que as regras podem e devem ser melhoradas, tanto no processo de filiação quanto no de prévias. É fato, também que, se houver um amplo acordo entre as forças em torno de um único candidato, é melhor dos mundos. A preocupação do ex-presidente Lula é a mesma compartilhada por grande parte do partido: é importante haver renovação, apresentando um nome novo, não necessariamente com bons índices de intenção de voto. Olhando a história recente da cidade, vários prefeitos de São Paulo inicialmente não tinham intenção de voto, mas se elegeram ao final da disputa eleitoral. Entre eles Luíza Erundina, Celso Pitta, Gilberto Kassab...

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