O governo já pensa em rever a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os automóveis. E trava uma queda de braço com a indústria automobilística, que não quer se comprometer com as contrapartidas pedidas. Entre elas, destinar um percentual do faturamento à inovação, garantir maior índice de conteúdo local nas partes e peças e alcançar metas de maior eficiência energética.
Inicialmente, o governo havia anunciado a redução do IPI ao setor até julho de 2016. O imposto varia segundo as características dos carros: 7% para os modelos populares; 13% a 15% no caso dos automóveis com potência de 1.0 a 2.0; e 25% para os acima de 2.0. Contudo, segundo apurou o jornal O Estado de São Paulo, apesar das benesses, as montadoras não pretendem repassar possíveis reduções do IPI ao preço do produto final. E, principalmente as montadoras que aqui chegaram há pouco tempo, resistem às obrigações de maior índice de conteúdo local. Boa parte do que produzem dá-se com peças e partes importadas.
Com essa postura do setor, há pouco a fazer. Ou seja, nada de desonerações e nada de privilégios. Sem contrapartidas sociais, ambientais e trabalhistas ou, ainda, de inovação, o governo não deveria mais conceder - a qualquer setor da economia - vantagens competitivas que custem recursos orçamentários.
Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026
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