Os integrantes da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) rejeitaram, nesta quinta-feira, o requerimento do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) que previa visita de uma delegação de senadores à Venezuela, para averiguar denúncias de supostas violações de direitos humanos feitas pelo prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, esta semana. Os senadores da base governista disseram que só aprovariam essa visita após a votação, pelo Plenário do Senado, da adesão da Venezuela ao Mercosul. O protocolo de adesão foi examinado na CRE.
Para o senador Renato Casagrande (PSB-ES), integrante da CRE, a visita à Venezuela no momento em que o Brasil discute o ingresso do país no Mercosul soaria como uma forma de "intromissão" no governo do presidente Hugo Chávez.
– Uma ida nesta fase pareceria uma intromissão. O Mercosul tem comissão de direitos humanos que pode ser acionada para fazer averiguação – afirmou.
Para Tasso Gereissati (PSDB-CE), a visita seria necessária antes da votação do projeto para confirmar as acusações contra a violação à democracia no país feita pelo prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, em depoimento à comissão no início desta semana.
– Se o que metade do prefeito disse for verdade, seria uma violação clara de toda tradição da política externa brasileira – disse.
Em defesa da visita dos senadores, o senador Efraim Morais (DEM-PB) ironizou a sugestão do líder Romero Jucá (PMDB-RR) ao afirmar que, se a comissão for visitar o país depois que o Senado aprovar a adesão da Venezuela no Mercosul, a viagem seria de "turismo".
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) defendeu a viagem de uma comissão de parlamentares ao afirmar que a visita seria necessária para ver de perto as condições democráticas do país.
– Uma visita de senadores para conversar com parlamentares, prefeito, com a oposição, com o presidente Chávez e transmitir o desejo dele cumprir tudo o que está sendo assinado nesse acordo é fundamental. Seria uma visita oficial, mas sem condicionante à aprovação do relatório – afirmou o parlamentar petista.