Ex-diretor da DERSA, estatal paulista responsável pela construção/gestão das maiores rodovias do Estado, o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, pivô do maior escândalo financeiro da campanha eleitoral tucana em 2010, será agora investigado pelo Ministerio Público Federal (MPF).
Ele terá seus sigilos fiscal e bancário quebrados. O inquérito instaurado pelo MPF apura denúncias de enriquecimento ilícito do engenheiro e de que teria havido favorecimento a familiares seus na época em que ele dirigia a DERSA.
A acusação central é sobre um contrato de emergência de R$ 91 mil firmado com o consórcio de empreiteiras Andrade Gutierrez/Queiroz Galvão, um dos responsáveis pelo Rodoanel. O consórcio assinou o contrato com uma empresa que tinha entre seus sócios um genro e a mãe de Paulo Preto.
Enriquedimento ilícito e favorecimento á família
Apesar de ter sido acusado pela própria cúpula tucana, de ter desaparecido com R$ 4 milhões de contribuições de empresas que não chegaram aos cofres da campanha tucana, não é muito fácil recordar-se de Paulo Preto porque em torno das denúncias que o envolveram o tucanato desencadeou uma operação abafa, descendo sobre o caso o manto do mais absoluto silêncio.
José Serra, o candidato tucano e da oposição derrotado á Presidência da República no ano passado, embora tenha contratado e mantido uma filha do engenheiro em seu gabinete nos 3,5 anos em que foi governador de São Paulo chegou a dizer que não se lembrava dele.
Só se lembrou quando o engenheiro, em entrevista, queixou-se de que "não se abandona assim um companheiro" numa linguagem cifrada em que ameaçava contar tudo o que sabia se não fosse defendido. Aí, Serra recordou-se dele e passou a elogiar sua competência.
Tucano desempregado arruma emprego
Em tempo: o ex-governador tucano de São Paulo, Alberto Goldman (vice-governador, ele governou o Estado por 8 meses, de maio a dezembro de 2010, cumprindo o restante do mandato de José Serra), foi nomeado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab (ainda DEM-PSDB) para integrar o Conselho de Administração da São Paulo Urbanismo, a SP-Urbanismo.
No bojo das denúncias que deflagraram o caso Paulo Preto no ano passado, Goldman aparecia como autor de e-mails e documentos em que advertia o governador José Serra e outras autoridades estaduais por nomearem e manterem o engenheiro na direção da DERSA. Segundo e-mails de Goldman, Paulo Preto não seria "de confiança".
Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026
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