Na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o principal desafio para o governo neste momento é melhorar as contas externas. Ele a fez, ontem, na 1ª reunião com empresários integrantes do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC) a se realizar no novo governo.
O ministro pôs o dedo na ferida: a prioridade do governo Dilma Rousseff é manter o crescimento sustentável do país e é hora de conter gastos. " foi um período em que aumentou muito o gasto público. Agora, nós do Estado temos que fazer um esforço grande de redução de gastos de custeio para impedir que novas despesas sejam geradas no Congresso e nas áreas governamentais".
"A política monetária tem que reagir a essa nova colocação. Redução de gasto público tem que resultar depois em redução de juro. Estaremos diminuindo a demanda do governo, crescendo menos a pública, dando espaço para a demanda privada e, dessa forma, garantindo a solidez fiscal", completou.
Menos gastos deve levar a redução, não a aumento de juros
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, estava presente à reunião. Mantega prosseguiu: "Não podemos permitir que haja um aumento no déficit em transações correntes. Temos que enfrentar a guerra comercial que está aí, de forma firme e de todas as maneiras. Enfrentar a concorrência predatória, a questão cambial", listou Mantega.
O ministro encerrou sua fala com mais informação - ou recado: o governo avaliará as medidas já tomadas para ver o que ainda é necessário fazer. E encareceu a necessidade de estimular a produção industrial - principalmente o setor manufatureiro - qualificar mão de obra e priorizar uma agenda de redução de tributos.
Não preciso fazer comentários adicionais. Com a palavra o governo, o próprio Ministério da Fazenda, o do Planejamento e o BC na hora de evitar novos aumentos na taxa Selic e de apresentar ao Congresso Nacional o contingenciamento do orçamento de 2011.