Rio de Janeiro, 24 de Abril de 2026

Sem ajuda econômica, piora situação na Palestina, dizem analistas

Terça, 31 de Janeiro de 2006 às 17:12, por: CdB

A idéia de suspender a ajuda econômica a um governo palestino chefiado pelo Hamas pode deixar a situação política na região mais explosiva, de acordo com analistas israelenses. Na opinião de especialistas que discordam da posição do governo de Israel, o Hamas ficará ainda mais fortalecido se a Europa e os Estados Unidos suspenderem o apoio econômico à Autoridade Palestina.

Segundo as autoridades israelenses, "a comunidade internacional não pode continuar transferindo verbas a um governo que será liderado por uma organização terrorista". Mas analistas alertam que o boicote pode despertar a raiva da população palestina contra o Ocidente e aumentar o apoio à corrente fundamentalista islâmica nos territórios ocupados.

Dinheiro do Irã

O economista da Universidade Hebraica de Jerusalém Efraim Kleinman afirmou, em entrevista à TV israelense, que, se houver corte na ajuda econômica, o governo do Hamas deverá pedir ajuda a países árabes e muçulmanos, particularmente o Irã. De acordo com o economista, a Arábia Saudita já contribui com cerca de US$ 100 milhões por ano à Autoridade Palestina e pode aumentar o apoio.

- Já para o Irã, essa seria uma oportunidade de ampliar sua ingerência nos territórios palestinos - disse ele.

Kleinman também afirmou que os bancos palestinos poderiam pedir empréstimos no mercado internacional e que "de qualquer maneira não haveria um colapso econômico imediato da Autoridade Palestina".

Segundo o especialista em assuntos do mundo árabe Zvi Barel, a nova situação se configura como "um círculo vicioso".

- Sem o apoio econômico dos Estados Unidos e de outros países, o Hamas vai continuar a se fortalecer, mas a esperança de uma vida melhor sob um governo democraticamente eleito vai se evaporar. Se o apoio econômico (ocidental) continuar, o novo governo palestino também vai se fortalecer e ganhar a confiança da população - afirmou Barel ao jornal israelense Haaretz.

Para o historiador Meron Benvenisti, é Israel, não a comunidade internacional, que deveria financiar os gastos da Autoridade Palestina.

- Se Israel cumprisse suas obrigações como força de ocupação, teria de gastar cerca de US$ 1 bilhão por ano para financiar os serviços à população palestina na Cisjordânia. Israel estabeleceu um precedente, a ocupação é totalmente financiada pela comunidade internacional - disse Benvenisti, também no Haaretz.

Ajuda dos dois lados

A Autoridade Palestina (AP), que administra territórios com aproximadamente 4 milhões de habitantes na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, recebe apoio econômico de cerca de US$ 1,2 bilhão por ano - US$ 600 milhões da União Européia, US$ 400 milhões dos Estados Unidos, US$ 100 milhões da Arábia Saudita e somas menores de outros países, principalmente o Japão. A ajuda internacional constitui a maior parte do orçamento anual da AP e, segundo os dados do Banco Mundial, essas verbas mal cobrem os salários dos 150 mil funcionários públicos. Não sobram recursos para desenvolvimento e investimentos em infra-estrutura.

Israel, com uma população de quase 7 milhões de habitantes, é um dos principais receptores de ajuda econômica dos Estados Unidos. Nos últimos anos, o país tem recebido em média US$ 3 bilhões por ano (em ajuda econômica e militar) do governo americano. O orçamento anual de Israel é de cerca de US$ 50 bilhões.

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