A escalada da taxa Selic deve reduzir a velocidade do crescimento do PIB no primeiro trimestre deste ano mas o processo de crescimento não está sendo abortado. A avaliação é do coordenador do grupo de conjuntura do Instituto de Economia (IE) da UFRJ e também do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O IE acredita que o País pode ter crescido 5,3% em 2004 e tem condições, ainda, para avançar 4% em 2005.
Segundo o coordenador do grupo do IE/UFRJ, Francisco Eduardo Pires de Souza, mesmo com juros altos o País conseguiu crescer nos últimos dez anos, ainda que a taxas médias modestas.
- Houve momentos de crescimento muito fortes, seguidos de ciclos de recessão. Toda vez que melhorou o ambiente externo e se entrou em processo de redução da taxa de juros a economia deslanchou, apesar de o nível dos juros ainda terem ficado muito alto - disse Pires de Souza.
As interrupções no crescimento econômico dos últimos anos se deram, quando houve "choques de juros", nos momentos de forte elevação, o que não está ocorrendo agora, acrescenta o economista.
- A subida está sendo gradual e não ocorre num momento de estrangulamento externo de recursos - afirma Pires de Souza.
Na próxima semana, o grupo de conjuntura do IE/UFRJ vai se reunir para reavaliar o cenário da economia, dissenesta quinta-feira o professor da universidade.
Como o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou, ontem, pela quinta vez consecutiva a taxa Selic, ainda que gradualmente, isso vai gerar algum efeito na atividade.
- Vai desacelerar, mas não vai ser mais uma recessão. Houve cinco períodos de recessão de 1994 para cá. No entanto, é evidente que isso (elevação da Selic) trará alguma desacelaração, agora, no primeiro trimestre, mas depois retoma - afirma.
Já o Iedi avalia que, mantidas as condições atuais, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá crescer 3,5% em 2005. Mas tem potencial para avançar até 5%, caso o real volte a se desvalorizar e a taxa Selic retome a trajetória de queda gradual o que poderia já acontecer no primeiro semestre, acredita o diretor-executivo do Iedi, Júlio Sérgio Gomes de Almeida.
- A inflação vai estar melhor este ano, sem os choques que sofreu no ano passado - diz o economista.
Alguns do choques enfrentados no ano passado foram o avanço das cotações das commodities, principalmente nos primeiros meses de 2004, e a elevação da Cofins, exemplifica o economista. O cenário de inflação dentro da trajetória pretendida pelo Banco Central (BC) abriria espaço para um afrouxamento da política monetária.
Selic alta não impede crescimento do PIB
Quinta, 20 de Janeiro de 2005 às 15:02, por: CdB