Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Selic alta não impede crescimento do PIB

Quinta, 20 de Janeiro de 2005 às 15:02, por: CdB

 A escalada da taxa Selic deve reduzir a velocidade do crescimento do PIB no primeiro trimestre deste ano mas o processo de crescimento não está sendo abortado. A avaliação é do coordenador do grupo de conjuntura do Instituto de Economia (IE) da UFRJ e também do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O IE acredita que o País pode ter crescido 5,3% em 2004 e tem condições, ainda, para avançar 4% em 2005.

Segundo o coordenador do grupo do IE/UFRJ, Francisco Eduardo Pires de Souza, mesmo com juros altos o País conseguiu crescer nos últimos dez anos, ainda que a taxas médias modestas.

- Houve momentos de crescimento muito fortes, seguidos de ciclos de recessão. Toda vez que melhorou o ambiente externo e se entrou em processo de redução da taxa de juros a economia deslanchou, apesar de o nível dos juros ainda terem ficado muito alto - disse Pires de Souza.

As interrupções no crescimento econômico dos últimos anos se deram, quando houve "choques de juros", nos momentos de forte elevação, o que não está ocorrendo agora, acrescenta o economista.

- A subida está sendo gradual e não ocorre num momento de estrangulamento externo de recursos - afirma Pires de Souza.

Na próxima semana, o grupo de conjuntura do IE/UFRJ vai se reunir para reavaliar o cenário da economia, dissenesta quinta-feira o professor da universidade.

Como o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou, ontem, pela quinta vez consecutiva a taxa Selic, ainda que gradualmente, isso vai gerar algum efeito na atividade.

- Vai desacelerar, mas não vai ser mais uma recessão. Houve cinco períodos de recessão de 1994 para cá. No entanto, é evidente que isso (elevação da Selic) trará alguma desacelaração, agora, no primeiro trimestre, mas depois retoma - afirma.

Já o Iedi avalia que, mantidas as condições atuais, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deverá crescer 3,5% em 2005. Mas tem potencial para avançar até 5%, caso o real volte a se desvalorizar e a taxa Selic retome a trajetória de queda gradual o que poderia já acontecer no primeiro semestre, acredita o diretor-executivo do Iedi, Júlio Sérgio Gomes de Almeida.

- A inflação vai estar melhor este ano, sem os choques que sofreu no ano passado - diz o economista.

Alguns do choques enfrentados no ano passado foram o avanço das cotações das commodities, principalmente nos primeiros meses de 2004, e a elevação da Cofins, exemplifica o economista. O cenário de inflação dentro da trajetória pretendida pelo Banco Central (BC) abriria espaço para um afrouxamento da política monetária.

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